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Veja o que Cardeal Sarah diz sobre a oração

Como definir com precisão a oração?

Se o homem não possui poços, não pode tirar a água. Igualmente, sem a oração, o homem se desidrata porque não tem mais nem profundidade, nem interioridade, nem uma fonte para irrigar sua vida. A oração abre um oásis sem limites. Ela não consiste fundamentalmente em falar com Deus. Certamente, é normal que dois amigos queiram falar para se conhecer. Desse ponto de vista, Moisés é um bom exemplo, que falava com Deus face a face; o Antigo Testamento nos diz que quando saía desses colóquios íntimos, seu rosto estava iluminado. Não podemos encontrar realmente Deus sem que a sua luz brilhe em nós. Pela oração, deixamos Deus gravar em nosso rosto o esplendor de sua face.

De fato, a oração consiste finalmente em se calar para escutar Deus que nos fala e para ouvir o Espírito Santo que fala em nós. Creio ser importante dizer que não sabemos e não podemos orar sozinhos: é o Espírito Santo que ora em nós e por nós. São Paulo nos diz: "Esse Espírito é quem atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus". Ele prossegue: "Do mesmo modo, também o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza, pois nós não sabemos rezar como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Aquele que sonda s corações sabe qual é a intenção do Espírito" (Rm 8,16.26). Seguramente, não se deve duvidar que os homens devam falar com Deus; mas a verdadeira oração deixa Deus livre de vir a nós segundo a tua vontade. Devemos saber esperá-lo no silêncio. É preciso demorar no silêncio, no abandono e na confiança. Orar é saber se calar durante longo tempo; estamos muitas vezes surdos, distraídos por nossas palavras... Infelizmente, não é evidente que saibamos escutar o Espírito Santo que ora em nós. Quanto mais perseverarmos no silêncio, mais teremos a oportunidade de ouvir o murmúrio de Deus. Lembremo-nos de que o profeta Elias permaneceu durante longo tempo escondido numa gruta, antes de ouvir o doce murmúrio do céu. Sim, repito, a oração consiste inicialmente em permanecer longo tempo silencioso. Devemos muitas o vezes nos aconchegar junto da Virgem do silêncio para lhe pedir que nos obtenha a graça do silêncio do amor e da virgindade interior, isto é, uma pureza de coração e uma disponibilidade de escuta que bane toda presença que não seja a de Deus. O Espírito Santo está em nós, mas estamos muitas vezes ocupados com orquestras que cobrem a sua voz... A oração é um longo tempo de deserto e de aridez, quando desejamos alcançar alegrias fáceis do mundo em vez de esperar Deus. Enquanto tantos pensamentos nos afastam de Deus, importa não esquecer que o Espírito Santo está presente. Os maiores santos duvidaram de suas vidas de oração, de tal modo a secura era às vezes rude; santa Teresinha do Menino Jesus se perguntava se ela acreditava nas palavras que dizia em suas orações cotidianas.
Creio que a oração pede de algum modo a ausência de palavras, porque a única linguagem que Deus ouve verdadeiramente é o silêncio do amor. A contemplação dos santos se alimenta exclusivamente de um A face a face com Deus no abandono. Não há fecundidade espiritual senão em um silêncio virginal, que não esteja misturado com muitas palavras e ruídos interiores. Deve-se saber desnudar-se diante de Deus, sem disfarces. A oração necessita da honestidade do coração sem mancha.

Trecho do livro "Deus ou nada" de Robert Sarah.

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