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domingo, 19 de agosto de 2018

Papa Francisco: vocação é escuta, discernimento e vida

A nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina, para a qual é preciso um processo de discernimento.

Escutar, discernir e viver a Palavra de Deus
Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, é preciso escutar, discernir e viver a Palavra, que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo, nos permite render nossos talentos, fazendo de nós instrumentos de salvação no mundo e orientando-nos à plenitude da felicidade.
O chamado do Senhor não é evidente, como tantas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Ler os sinais dos tempos com os olhos da fé

Por isso, é preciso “preparar-se à uma escuta profunda da sua Palavra, prestar atenção aos seus detalhes diários e aprender a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé, sempre abertos às surpresas do Espírito”.
Cada um de nós pode descobrir a própria vocação através do discernimento espiritual. Hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, para superar as tentações da ideologia e do fatalismo. Todo cristão deveria desenvolver a capacidade de ler os acontecimentos da vida e identificar o que o Senhor quer de nós, para continuarmos a sua missão.

                                                    Assumir a própria vocação
A vocação realiza-se hoje! A missão cristã é para o momento presente! Cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – a ser testemunha do Senhor, aqui e agora.

O Senhor continua nos chamando a segui-lo. Respondamos a Ele com o nosso generoso “sim”: “Eis-me aqui”.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ABORTO: UM ATENTADO CONTRA A VIDA

Por Seminarista Fernando Acácio de Oliveira
Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES.
Na sociedade atual, com toda a liquidez de valores a vida passou a ser um fato banal, sem importância. E muito mais grave quando a prática do aborto ataca vidas indefesas, inocentes e frágeis. Atentar contra a vida de um indefeso é atentar contra a própria existência humana. Do direito à vida derivam todos os outros direitos, dos quais aquele é condição necessária. As diversas justificações que estão sendo elaboradas para referendar a prática do aborto, tem como raiz comum deslegitimar a presença e alteridade do nascituro como pessoa humana atendendo interesses ou situações às vezes sentimentais, outras de conforto financeiro, ou de dominação imperial, chamando de interrupção da gravidez, o que os bombardeios inteligentes chamam de danos colaterais, ou seja, eliminação de vidas humanas. O termo “nascituro” aqui é entendido em sua etimologia que significa “aquele que há de nascer”.
A prática do aborto direto é condenável em razão de provocar a morte de um ser humano considerado inocente, o que constitui uma situação de tríplice injustiça: contra a existência humana da própria mulher, que sofrerá corporalmente e afetivamente ato abortivo; contra o próximo, que é privado do direito de existir como pessoa; e contra a sociedade, que perde um de seus membros. A inocência presumida do nascituro vem do fato de ser ele incapaz de ato moral e de proteger-se de uma agressão.
O argumento da defesa da vida, contra a prática do aborto, perpassa na reflexão de entender o nascituro como pessoa possuidora de direitos desde a sua concepção, antes mesmo da concessão destes pela sociedade, dada sua essência totalmente humana. Assim, o direito à vida apresenta-se como um direito ao mesmo tempo sagrado, existencial, natural e social. A prática abortiva é sim um atentado contra a vida! Ainda que a realização de um aborto possa conduzir ao alcance de certos bens, como a suposição da saúde ou a vida da mãe, é sempre injustificável. Outras razões, como as dificuldades que possa significar um filho a mais, especialmente se apresenta com anomalias graves, a desonra ou o desprestígio social, ainda que consideráveis, também não legitimam o ato abortivo.
Aborto não é solução! Solução são nossas autoridades políticas e os diversos órgãos ligados à saúde criarem com efetividade e qualidade centros de ajuda social, atenção, cuidado e assessoria para a mulher, especialmente em casos de gravidez indesejada e de doenças ligadas ao nascituro. Dessa maneira, a vida humana será respeitada e protegida de modo absoluto, desde o momento da concepção. O respeito da vida aparece como um dos princípios mais fundamentais e evidentes. A noção de base é o respeito da vida humana integralmente, do início ao fim.
 

domingo, 5 de agosto de 2018

Vocacional Encontro 2018

ENCONTRAR Deus, ENCONTRAR a si mesmo, ENCONTRAR os irmãos, TE ENCONTRAR... 
Estamos indo ao seu encontro! 

"Meu coração arde, vejo uma luz brilhar em meio a escuridão, me encontro inquieto e preciso descobrir o que há dentro de mim, as coisas que vivo já não me preenchem, quero mais, mais de Deus, me entregar mais, me doar mais. Deus me pede respostas, decisões, nenhum dia da minha vida consigo parar de pensar no que possa ser isso..." 

Ei, se Deus te chama se liga aí. 

Abrimos hoje as inscrições para o nosso Encontro Vocacional 2018, que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de Setembro em nosso Centro de Evangelização, "Casa de Maria". 

Se você deseja se encontrar, acesse o link abaixo e faça sua inscrição: 

https://goo.gl/forms/RqECsZELj4CV8Eim2


NÃO TENHA MEDO, 
AMAMOS TE ENCONTRAR! 





sexta-feira, 8 de junho de 2018

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta e dedicou a sua homilia ao amor de Deus.



No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Fonte: Vatican News 

quarta-feira, 28 de março de 2018

INFOGRÁFICO: Medite os dias mais importantes do ano


O ponto mais alto da Semana Santa é o chamado Triduum Sacrum, em que vivenciamos os mistérios dos três dias sagrados:

Na Quinta-Feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia na última Ceia e, em função dela, a instituição do sacerdócio ministerial. Jesus quis dar um sinal visível para deixar claro seu amor até o fim.

Na Sexta-feira Santa fazemos memória da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o único dia no ano em que não se celebra a Missa. Temos a celebração da Paixão preferencialmente às 15 horas, a hora em que Jesus morreu. É uma celebração antiga e tradicional entre os católicos. Trata-se de uma celebração da Palavra especial, marcada por cânticos e ritos. Ela se inicia com um grande silêncio, durante o qual o sacerdote e os auxiliares permanecem prostrados no chão. Com esse gesto inusitado, os celebrantes expressam a ideia de que só conseguimos nos aproximar do mistério da morte de Jesus na Cruz quando estamos em silêncio.

O Sábado Santo é marcado pelo silêncio do sepulcro. Jesus está morto. Cristo desceu ao reino da morte, ao Hades, o reino das sombras, a Mansão dos Mortos. Posso imaginar como Jesus desce aos cantos tenebrosos de minha própria existência. O que excluo da vida? Quais os lugares para os quais não gosto de olhar? Jesus Se propõe a descer exatamente a esses rincões da morte e da escuridão, para mexer em tudo o que há de escuro e rançoso em mim, tudo o que há de mortiço e entorpecido, e então despertar-me para a vida. Na manhã do Sábado Santo, Cristo desce ao sepulcro de meu medo, minha resignação, minha auto-compaixão e minha morbidez, a fim de salvar-me e transformar-me no mais fundo de minha alma.

Sábado à noite, celebra-se a Vigília Pascal, a “Mãe de todas as Vigílias”! Essa grande e solene Missa compreende diversos momentos: a celebração da luz, em que se abençoa e acende o Círio Pascal, que representa a Luz de Cristo ressuscitado; a meditação sobre as maravilhas que Deus realizou desde o início pelo seu povo, em que contemplamos a história da salvação por meio das leituras do Antigo e do Novo Testamento. É a história do povo de Deus que confiou em Sua Palavra e Sua Promessa; o rito batismal e o rito eucarístico.

Com a participação na Vigília e na Liturgia do Domingo de Páscoa, fazemos a experiência da ressurreição de Cristo em nossa vida, Cristo ressurge em minha vida, apontando novos caminhos. Ele vem até mim para mostrar-me que a ressurreição transforma em êxito o que parecia perdido. O que estava morto renasce, e a escuridão torna-se luz. A fé na ressurreição cura as mágoas de minha vida e ensina-me a erguer-me e prosseguir em direção à verdadeira vida, à vida que Deus concebeu para mim.

sábado, 17 de março de 2018

Como perdoar quem nos magoou?

     Talvez um dos nossos grandes desafios seja perdoar àqueles que nos feriram, machucaram com atitudes, omissões, agressões verbais e até mesmo físicas. A dor que fica em nosso coração muitas vezes é grande demais, com frequência fecha o nosso coração para o amor. Não só com aquele que nos atacou, mas também em relação a todas as outras pessoas, passo a desconfiar, não quero me entregar para ser maltratado novamente. Mas nosso coração ferido pode ser curado, pois acima de qualquer injúria está a misericórdia de Deus, que nos perdoa infinitamente perdoa igualmente meus agressores.
     Por que perdoar? Primeiramente, porque é isso que Deus faz com cada um que peca e se arrepende:




    Ou seja, se Ele acolhe a todos, minha primeira tarefa é compreender que a misericórdia de Deus alcança a todos e pode tanto me curar quanto levar ao arrependimento os meus agressores. Lembre-se das palavras de Jesus ao ser crucificado: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem". (Lc 23, 34). Esse já é um grande motivo para sermos misericordiosos, como nosso Deus é misericordioso. Aquele que fere também sofre com o próprio mal que faz. Podemos pensar também quantas pessoas precisam ser compreensivas, pacientes e misericordiosas conosco, quando agimos mal e falhamos com os que amamos.
     Como perdoar? Aqui está o grande segredo do cristão, que deseja do fundo do seu coração viver o Evangelho, que nos manda amar uns aos outros, como o próprio Jesus nos amou (cf. Jo 13, 34): A oração. Essa é a nossa grande arma, rezar! O Pai nosso pode ser um grande começo para essa libertação, principalmente o trecho "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". A oração insistente, pedindo a Deus a graça de superar a dor de todo mal causado por uma ou mais pessoas com certeza é sempre ouvida por Deus, que "não recusa os seus bens àqueles que caminham na inocência" (Sl 83,12) e crer que Ele fará esse grande prodígio de nos emprestar seu coração e assim sermos capazes de amar livremente, como Deus mesmo ama cada um de seus filhos.
     Faça isso hoje! A sensação de liberdade é tão grande e forte que não vale a pena deixar para amanhã para experimentá-la. Confie em Cristo! "Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível." (Mt 19, 26) nos diz o próprio Senhor. Ele está do seu lado, querendo dar-te esse presente, a graça de perdoar, amar e ser feliz pro resto da vida e vencer todos os desafios, na liberdade daqueles que se decidem pela vida, pelo perdão e pela santidade.

quarta-feira, 7 de março de 2018

O que São João Paulo II disse às mulheres?

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
ÀS MULHERES



A vós, mulheres do mundo inteiro, 
a minha mais cordial saudação!


 A cada uma de vós dirijo esta Carta, sob o signo da solidariedade e da gratidão, ao aproximar-se a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, que terá lugar em Pequim no próximo mês de Setembro.

Antes de mais, desejo exprimir o meu vivo apreço à Organização das Nações Unidas, que promoveu uma iniciativa de tamanha importância. Também a Igreja se propõe oferecer a sua contribuição para a defesa da dignidade, do papel e dos direitos das mulheres, não só através da específica colaboração da Delegação oficial da Santa Sé nos trabalhos de Pequim, como também falando directamente ao coração e à mente de todas as mulheres. Recentemente, por ocasião da visita que a Senhora Gertrudes Mongella, Secretária Geral da Conferência, me fez tendo em vista precisamente tão significativo encontro, quis entregar-lhe uma Mensagem, na qual estão recolhidos alguns pontos fundamentais do ensinamento da Igreja a este respeito. É uma mensagem que, para além da específica circunstância que a inspirou, se abre para a perspectiva mais ampla da realidade e dos problemas das mulheres no seu conjunto, pondo-se ao serviço da sua causa na Igreja e no mundo contemporâneo. Por isso, dei instruções para que fosse transmitida a todas as Conferências Episcopais, para garantir a sua máxima difusão.

Retomando quanto escrevi em tal documento, gostaria agora de me dirigir diretamente a cada mulher, para refletir com ela sobre os problemas e perspectivas da condição feminina no nosso tempo, detendo-me em particular sobre o tema essencial da dignidade e dos direitos das mulheres, considerados à luz da Palavra de Deus.

O ponto de partida deste diálogo ideal não pode ser senão um obrigado. A Igreja — escrevia na Carta apostólica Mulieris dignitatem— « deseja render graças à Santíssima Trindade pelo "mistério da mulher" — por toda a mulher — e por aquilo que constitui a eterna medida da sua dignidade feminina, pelas "grandes obras de Deus" que, na história das gerações humanas, nela e por seu meio se realizaram » (n. 31).

 O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.

Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do « mistério », à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta « esponsal », que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples facto de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.

 Mas agradecer não basta, já sei. Infelizmente, somos herdeiros de uma história com imensos condicionalismos que, em todos os tempos e latitudes, tornaram difícil o caminho da mulher, ignorada na sua dignidade, deturpada nas suas prerrogativas, não raro marginalizada e, até mesmo, reduzida à escravidão. Isto impediu-a de ser profundamente ela mesma, e empobreceu a humanidade inteira de autênticas riquezas espirituais. Não seria certamente fácil atribuir precisas responsabilidades, atendendo à força das sedimentações culturais que, ao longo dos séculos, plasmaram mentalidades e instituições. Mas, se nisto tiveram responsabilidades objectivas, mesmo não poucos filhos da Igreja, especialmente em determinados contextos históricos, lamento-o sinceramente. Que este pesar se traduza, para toda a Igreja, num compromisso de renovada fidelidade à inspiração evangélica que, precisamente no tema da libertação das mulheres de toda a forma de abuso e de domínio, tem uma mensagem de perene atualidade, que brota da atitude mesma de Cristo. Ele, superando as normas em vigor na cultura do seu tempo, teve para com as mulheres uma atitude de abertura, de respeito, de acolhimento, de ternura. Honrava assim, na mulher, a dignidade que ela sempre teve no projeto e no amor de Deus. Ao fixar o olhar n'Ele, no final deste segundo milênio, vem-nos espontaneamente a pergunta: em que medida a sua mensagem foi recebida e posta em prática?

Sim, é tempo de olhar, com a coragem da memória e o sincero reconhecimento das responsabilidades, a longa história da humanidade, para a qual as mulheres deram uma contribuição não inferior à dos homens, e a maior parte das vezes em condições muito mais desfavoráveis. Penso, de modo especial, nas mulheres que amaram a cultura e a arte, e às mesmas se dedicaram partindo de condições desvantajosas, excluídas frequentemente de uma educação paritária, submetidas à inferiorização, ao anonimato e até mesmo à expropriação da sua contribuição intelectual. Infelizmente, da obra imensa das mulheres na história, bem pouco restou de significativo com os métodos da historiografia científica. Mas, por sorte, se o tempo sepultou os seus vestígios documentais, não é possível não perceber os seus influxos benfazejos na seiva vital que impregna o ser das gerações, que se foram sucedendo até à nossa. Relativamente a esta grande, imensa « tradição » feminina, a humanidade tem uma dívida incalculável. Quantas mulheres foram e continuam ainda a ser valorizadas mais pelo aspecto físico que pela competência, pela profissionalidade, pelas obras da inteligência, pela riqueza da sua sensibilidade e, em última análise, pela própria dignidade do seu ser!

 Que dizer também dos obstáculos que, em tantas partes do mundo, impedem ainda às mulheres a sua plena inserção na vida social, política e econômica? Basta pensar como, com frequência, é mais penalizado que gratificado o dom da maternidade, à qual, todavia, a humanidade deve a sua própria sobrevivência. Certamente, resta ainda muito a fazer para que o ser mulher e mãe não comporte discriminação. Urge conseguir onde quer que seja a igualdade efetiva dos direitos da pessoa e, portanto, idêntica retribuição salarial por categoria de trabalho, tutela da mãe-trabalhadora, justa promoção na carreira, igualdade entre cônjuges no direito de família, o reconhecimento de tudo quanto está ligado aos direitos e aos deveres do cidadão num regime democrático.

Trata-se não só de um ato de justiça, mas também de uma necessidade. Na política do futuro, os graves problemas em aberto verão sempre mais envolvida a mulher: tempo livre, qualidade da vida, migrações, serviços sociais, eutanásia, droga, saúde e assistência, ecologia, etc. Em todos estes campos, se revelará preciosa uma maior presença social da mulher, porque contribuirá para fazer manifestar as contradições de uma sociedade organizada sobre critérios de eficiência e produtividade, e obrigará a reformular os sistemas a bem dos processos de humanização que delineiam a « civilização do amor ».

 Pensando, depois, a um dos aspectos mais delicados da situação feminina no mundo, como não lembrar a longa e humilhante história — com frequência, « subterrânea » — de abusos perpetrados contra as mulheres no campo da sexualidade? No limiar do terceiro milênio, não podemos permanecer impassíveis e resignados diante deste fenômeno. Está na hora de condenar vigorosamente, dando vida a apropriados instrumentos legislativos de defesa, as formas de violência sexual, que não raro têm a mulher por objecto. Mais, em nome do respeito pela pessoa, não podemos não denunciar a difusa cultura hedonista e mercantilista que promove a exploração sistemática da sexualidade, levando mesmo meninas de menor idade a cair no circuito da corrupção e a permitir comercializar o próprio corpo.

Por outro lado, diante de tais perversões, quanto louvor merecem as mulheres que, com amor heroico pela sua criatura, carregam uma gravidez devida à injustiça de relações sexuais impostas pela força; e isto não só no quadro das atrocidades que, infelizmente, se verificam nos contextos de guerras, ainda tão frequentes no mundo, mas também nas situações de bem-estar e de paz, não raro viciadas por uma cultura de permissivismo hedonista, na qual prosperam facilmente também tendências de machismo agressivo. Nestas condições, a escolha do aborto, que permanece sempre um pecado grave, antes de ser uma responsabilidade atribuível à mulher, é um crime que deve ser imputado ao homem e à cumplicidade do ambiente circundante.

 Assim, o meu « obrigado » às mulheres converte-se num premente apelo a que, da parte de todos, particularmente dos Estados e das Instituições Internacionais, se faça o que for preciso para devolver à mulher o pleno respeito da sua dignidade e do seu papel. A este respeito, não posso deixar de manifestar a minha admiração pelas mulheres de boa vontade que se dedicaram a defender a dignidade da condição feminina, através da conquista de direitos fundamentais sociais, econômicos e políticos, e assumiram corajosamente tal iniciativa em épocas em que este seu empenho era considerado um ato de transgressão, um sinal de falta de feminilidade, uma manifestação de exibicionismo, e talvez um pecado!

Como escrevi na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, ao contemplar este grande processo de libertação da mulher, pode-se dizer que « foi um caminho difícil e complexo e, por vezes, não isento de erros, mas substancialmente positivo, apesar de ainda incompleto devido a tantos obstáculos que, em diversas partes do mundo, se interpõem não deixando que a mulher seja reconhecida, respeitada, valorizada na sua peculiar dignidade » (n. 4).

É preciso continuar neste caminho! Estou convencido, porém, que o segredo para percorrer diligentemente a estrada do pleno respeito da identidade feminina não passa só pela denúncia, apesar de necessária, das discriminações e das injustiças, mas também, e sobretudo, por um eficaz e claro projeto de promoção, que englobe todos os âmbitos da vida feminina, a partir de uma renovada e universal tomada de consciência da dignidade da mulher. Ao reconhecimento desta, não obstante os múltiplos condicionalismos históricos, leva-nos a própria razão, que capta a lei de Deus inscrita no coração de cada homem. Mas é sobretudo a Palavra de Deus, que nos permite identificar com clareza o radical fundamento antropológico da dignidade da mulher, apontando-o no desígnio de Deus sobre a humanidade.

 Permiti-me, pois, caríssimas irmãs, que juntamente convosco, medite uma vez mais aquela página bíblica maravilhosa que mostra a criação do homem, e na qual se exprime bem a vossa dignidade e missão no mundo.

O Livro do Génesis fala da criação, de modo sintético e com linguagem poética e simbólica, mas profundamente verdadeira: « Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou varão e mulher » (Gn 1, 27). O acto criador de Deus desenvolve-se segundo um preciso projecto. Antes de mais, diz que o homem é criado « à imagem e semelhança de Deus » (cf. Gn 1, 26), expressão que esclarece logo a peculiaridade do homem no conjunto da obra da criação.

Depois, diz que ele, desde o início, é criado como « varão e mulher » (Gn 1, 27). A mesma Sagrada Escritura fornece a interpretação deste dado: o homem, mesmo encontrando-se rodeado pelas inumeráveis criaturas do mundo visível, dá-se conta deestar só (cf. Gn 2, 20). Deus intervém para fazê-lo sair desta situação de solidão: « Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele » (Gn 2, 18). Portanto, na criação da mulher está inscrito, desde o início, o princípio do auxílio: auxílio — note-se — não unilateral, mas recíproco. A mulher é o complemento do homem, como o homem é o complemento da mulher: mulher e homem são entre si complementares. A feminilidade realiza o « humano » tanto como a masculinidade, mas com uma modulação distinta e complementar.

Quando o Gênesis fala de « auxiliar », não se refere só ao âmbito do agir, mas também do ser. Feminilidade e masculinidade são entre si complementares, não só do ponto de vista físico e psíquico, mas também ontológico. Só mediante a duplicidade do « masculino » e do « feminino », é que o « humano » se realiza plenamente.

 Depois de criar o homem, varão e mulher, Deus diz a ambos: « Enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28). Não lhes confere só o poder de procriar para perpetuar no tempo o gênero humano, mas confia-lhes também a terra como tarefa, comprometendo-os a administrar os seus recursos com responsabilidade. O homem, ser livre e racional, é chamado a transformar a face da terra. Nesta tarefa, que é essencialmente a obra da cultura, tanto o homem como a mulher têm, desde o início, igual responsabilidade. Na sua reciprocidade esponsal e fecunda, na sua tarefa comum de dominar e submeter a terra, a mulher e o homem não refletem uma igualdade estática e niveladora, mas tampouco comportam uma diferença abissal e inexoravelmente conflituosa: a sua relação mais natural, conforme ao desígnio de Deus, é a « unidade dos dois », ou seja, uma « uni dualidade » relacional, que permite a cada um de sentir a relação interpessoal e recíproca como um dom enriquecedor e responsabilizador.

A esta « unidade dos dois », está confiada por Deus não só a obra da procriação e a vida da família, mas a construção mesma da história. Se durante o Ano Internacional da Família, celebrado em 1994, a atenção se concentrou sobre a mulher como mãe, a Conferência de Pequim torna-se ocasião propícia para uma nova tomada de consciência da múltipla contribuição que a mulher oferece à vida inteira das sociedades e nações. É uma contribuição, inicialmente de natureza espiritual e cultural, mas também sócio-política e econômica. Devem realmente muito ao subsídio da mulher, os vários sectores da sociedade, os Estados, as culturas nacionais, e, em última análise, o progresso de todo o gênero humano!

 Normalmente, o progresso é avaliado segundo categorias técnicas e científicas; ora, até sob este ponto de vista, não falta a contribuição da mulher. Mas, essas não são as únicas dimensões do progresso, antes, não são sequer as principais. Mais importante ainda é a dimensão ético-social, que diz respeito às relações humanas e aos valores do espírito: e, nesta dimensão, frequentemente desenvolvida sem alarde, a partir das relações quotidianas entre as pessoas, especialmente dentro da família, a sociedade é em larga medida devedora, precisamente ao « gênio da mulher ».

A este respeito, gostaria de manifestar particular gratidão às mulheres empenhadas nos mais distintos sectores da actividade educativa, para além da família: infantários, escolas, universidades, instituições de assistência, paróquias, associações e movimentos. Onde quer que se revele necessário um trabalho de formação, pode-se constatar a imensa disponibilidade das mulheres a dedicarem-se às relações humanas, especialmente em prol dos mais débeis e indefesos. Nesse trabalho, elas realizam uma forma de maternidade afectiva, cultural e espiritual, de valor realmente inestimável, pela incidência que tem no desenvolvimento da pessoa e no futuro da sociedade. E como não lembrar aqui o testemunho de tantas mulheres católicas e de tantas Congregações religiosas femininas, que, nos vários continentes, fizeram da educação, especialmente dos meninos e meninas, o seu principal serviço? Como não pensar com espírito de gratidão a todas as mulheres que operaram, e continuam a fazê-lo, no campo da saúde, não só no âmbito das instituições sanitárias bem organizadas, mas, com frequência, em circunstâncias muito precárias, nos países mais pobres do mundo, dando um testemunho de disponibilidade que toca não raro o martírio?

 Faço votos pois, caríssimas irmãs, que se reflita com particular atenção sobre o tema do « gênio da mulher », não só para nele reconhecer os traços de um preciso desígnio de Deus, que há-de ser acolhido e honrado, mas também para lhe dar mais espaço no conjunto da vida social, bem como da vida eclesial. Precisamente sobre este tema, de resto já considerado por ocasião do Ano Mariano, pude deter-me amplamente na mencionada Carta apostólica Mulieris dignitatempublicada em 1988. Além disso, este ano, por ocasião da Quinta-Feira Santa, quis unir idealmente a Mulieris dignitatem à habitual Carta que envio aos sacerdotes convidando-os a refletirem sobre o significativo papel que na sua vida desempenha a mulher como mãe, como irmã e como colaboradora nas obras de apostolado. Esta é outra dimensão — distinta da conjugal, mas importante também — daquele « auxílio » que a mulher, segundo o Gênesis, é chamada a prestar ao homem.

A Igreja vê, em Maria, a máxima expressão do « gênio feminino » e encontra n'Ela uma fonte incessante de inspiração. Maria definiu-Se « serva do Senhor » (cf. Lc 1, 38). É por obediência à Palavra de Deus que Ela acolheu a sua vocação privilegiada, mas nada fácil, de esposa e mãe da família de Nazaré. Pondo-Se ao serviço de Deus, Ela colocou-Se também ao serviço dos homens: um serviço de amor. Este mesmo serviço permitiu-Lhe realizar na sua vida a experiência de um misterioso, mas autêntico « reinar ». Não é por acaso que é invocada como « Rainha do céu e da terra ». Assim a invoca toda a comunidade dos crentes; invocam-na como « Rainha » muitas nações e povos. O seu « reinar » é servir! O seu servir é « reinar »!

Assim deveria ser entendida a autoridade, tanto na família, como na sociedade e na Igreja. O « reinar » é revelação da vocação fundamental do ser humano, enquanto criado à « imagem » d'Aquele que é Senhor do céu e da terra, e chamado a ser em Cristo seu filho adotivo. O homem é a única criatura sobre a terra « a ser querida por Deus por si mesma », como ensina o Concílio Vaticano II, o qual, de modo significativo, acrescenta que o homem « não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo » (Gaudium et spes24).

Nisto consiste o materno « reinar » de Maria. Tendo-Se feito, com todo o seu ser, dom para o seu Filho, Ela veio a tornar-Se também dom para os filhos e filhas de todo o gênero humano, gerando uma profundíssima confiança em quem a Ela recorre para ser guiado pelos caminhos difíceis da vida até ao próprio destino definitivo e transcendente. Cada um chega através das etapas da própria vocação a esta meta final, uma meta que orienta o empenho na história tanto do homem como da mulher.

 Neste horizonte de « serviço » — que, se prestado com liberdade, reciprocidade e amor, exprime a verdadeira « realeza » do ser humano — é possível acolher também, sem consequências desfavoráveis para a mulher, uma certa diversidade de papéis, na medida em que tal diversidade não é fruto de arbitrária imposição, mas brota da peculiaridade do ser masculino e feminino. É um tema que tem a sua específica aplicação, mesmo no seio da Igreja. Se Cristo — por escolha livre e soberana, bem testemunhada no Evangelho e na constante tradição eclesial — confiou somente aos homens a tarefa de ser « ícone » da sua imagem de « pastor » e « esposo » da Igreja através do exercício do sacerdócio ministerial, isto em nada diminui o papel da mulher, como afinal sucede com os outros membros da Igreja não investidos do sagrado ministério, já que todos são igualmente dotados da dignidade própria do « sacerdócio comum », radicado no Batismo. Tais distinções de papéis, com efeito, não devem ser interpretadas à luz dos cânones em uso nas sociedades humanas, mas com os critérios específicos da economia sacramental, ou seja, daquela economia de « sinais » livremente escolhidos por Deus para Se fazer presente no meio dos homens.

De resto, precisamente na linha desta economia de sinais, mesmo se fora do âmbito sacramental, não é de pouca importância a « feminilidade » vivida segundo o sublime modelo de Maria. Há, de facto, na « feminilidade » da mulher crente, e especialmente da mulher « consagrada », uma espécie de « profecia » imanente (cf. Mulieris dignitatem29), um simbolismo fortemente evocador, dir-se-ia uma sugestiva « iconicidade », que se realiza plenamente em Maria e exprime bem o ser mesmo da Igreja, enquanto comunidade consagrada com a dimensão de absoluto de um coração « virgem », para ser « esposa » de Cristo e « mãe » dos crentes. Nesta perspectiva de complementaridade « icônica » dos papéis masculino e feminino, ficam mais em evidência duas dimensões imprescindíveis da Igreja: o princípio « mariano », e o princípio « apostólico-petrino » (cf. ibid., 27).

Por outro lado — lembrei-o aos sacerdotes na mencionada Carta da Quinta-Feira Santa deste ano —, o sacerdócio ministerial, no desígnio de Cristo, « não é expressão de domínio, mas de serviço » (n. 7). É tarefa urgente da Igreja, na sua renovação quotidiana à luz da Palavra de Deus, pô-lo sempre mais em evidência, quer no desenvolvimento do espírito de comunhão e na promoção atenta de todos os instrumentos tipicamente eclesiais da participação, quer através do respeito e valorização dos inúmeros carismas pessoais e comunitários, que o Espírito de Deus suscita para edificação da comunidade cristã e serviço dos homens.

Neste amplo espaço de serviço, a história da Igreja nestes dois milênios, apesar de tantos condicionalismos, conheceu realmente o « gênio da mulher », tendo visto surgir no seu seio mulheres de primária grandeza, que deixaram amplos e benéficos vestígios de si no tempo. Penso na longa série de mártires, de santas, de místicas insignes. Penso, de modo especial, em Santa Catarina de Sena e em Santa Teresa de Ávila, a quem o Papa Paulo VI, de venerável memória, conferiu o título de Doutora da Igreja. E como não lembrar também tantas mulheres que, impelidas pela fé, deram vida a iniciativas de extraordinário relevo social, especialmente ao serviço dos mais pobres? O futuro da Igreja, no terceiro milênio, não deixará certamente de registar novas e esplêndidas manifestações do « gênio feminino ».

 Vede, portanto, caríssimas irmãs, quantos motivos tem a Igreja para desejar que, na próxima Conferência, promovida em Pequim pelas Nações Unidas, se ponha em evidência a verdade plena sobre a mulher. Seja colocado realmente em devido relevo o « gênio da mulher », tendo em conta não somente as mulheres grandes e famosas, do passado ou nossas contemporâneas, mas também as mulheres simples, que exprimem o seu talento feminino com o serviço aos outros na normalidade do quotidiano. De facto, é no doar-se aos outros na vida de cada dia, que a mulher encontra a profunda vocação da própria vida, ela que talvez mais que o próprio homem vê o homem, porque o vê com o coração. Vê-o independentemente dos vários sistemas ideológicos e políticos. Vê-o na sua grandeza e nos seus limites, procurando ir ao seu encontro e ser-lhe de auxílio. Deste modo, realiza-se na história da humanidade o fundamental desígnio do Criador e aparece à luz incessantemente, na variedade das vocações, a beleza — não só física, mas sobretudo espiritual — que Deus prodigalizou desde o início à criatura humana e especialmente à mulher.

Ao mesmo tempo que, na minha oração, confio ao Senhor o bom êxito do importante encontro de Pequim, convido as comunidades eclesiais a fazer do ano em curso ocasião para uma profunda ação de graças ao Criador e ao Redentor do mundo precisamente pelo dom de um bem tão grande como é o da feminilidade: esta, nas suas múltiplas expressões, pertence ao patrimônio constitutivo da humanidade e da mesma Igreja.

Que Maria, Rainha do amor, vele pelas mulheres e pela sua missão ao serviço da humanidade, da paz, da difusão do Reino de Deus!

Com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 29 de Junho de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.

JOÃO PAULO PP. II

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Você só precisa dar o próximo passo

Entre nossas crises de fé, vocacionais e até mesmo financeiras, nos deparamos com tantos questionamentos: “E agora? O que farei? Como sair dessa situação? O que está acontecendo comigo? Qual o sentido disso tudo? Deus, cadê Você?”. 
Somos assim conduzidos para o deserto, local onde inicialmente nos apavoramos, somos inundados pelo medo, tantas inseguranças tomam nossos corações. Querendo sair dali o mais rápido possível, sofremos com a paralisia. Tomados por nossa auto suficiência nada conseguimos fazer e é nesse momento, de maior solidão e aridez, que encontramos Deus.
E começamos a encontrar a ESPERANÇA.



Vamos ao deserto?

Dissertando melhor sobre esse subtítulo eu te digo: queira ir para o deserto! Proporcione situações no seu cotidiano que lhe faça viver o deserto. Silencie!
O deserto é o local que encontramos com nossos demônios, nos deparamos com nossas verdades trilhando um caminho profundo de autoconhecimento, pois ali com as feridas expostas, despojados de nossas máscaras e personagens, podemos encontrar a cura, o tratamento. 
E lembre-se: é um CAMINHO. E para caminhar precisamos de que? De dar o próximo passo!!! Seguir em frente. Caindo e levantando.





Em Tempo Quaresmal, estamos nesse ambiente desértico propício para tal vivência interior diante da Liturgia da Palavra que temos a nosso alcance diariamente.
Aproveito também para indicar o filme “Campo Minado” dos italianos Fabio Guaglione e Fabio Resinaro, que possui um conteúdo riquíssimo para um aprofundar sensível em nós mesmos. Filme secular no qual nos revela a sabedoria dos Padres do Deserto - se isso foi intencional e os autores possuem tal conhecimento, ainda não descobri a informação, mas que podemos utilizá-lo como formação isso sim eu posso indicar.


Terminando aqui esse artigo lhe digo:
“DÊ O PASSO, SOLDADO! DÊ O PASSO!”
Enfrente seus demônios
Encare suas verdades
Conheça-se a si mesmo
Conheça Deus
Deserte-se!

Dê nome a suas dores
Vença seus medos
Encontre as raízes
Lance profundo suas raízes
Enraize-se
E deixa Deus cultivar
Não deixe de orar
Deixa Deus podar
Não deixe de adorar
Silêncio…

Encontre-se
Encontre com Deus.
Dê o passo, soldado.
Você só precisa dar o próximo passo!
E no deserto o jardim florirá.



Karla Maria Tavares de Oliveira
Discipulado - Com. Encontro

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Propostas do Papa Francisco para a Quaresma 2018


O Papa escreveu uma mensagem aos católicos de todo o mundo, com indicações para a Quaresma que se inicia hoje, na qual propõe práticas ligadas à oração, jejum e esmola, com atenção aos mais necessitados.
“A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos”, escreve Francisco.
A Quaresma, que começa com a celebração de Cinzas, é um período marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão.
O Papa parte destas práticas tradicionalmente associadas ao tempo quaresmal para apelar à solidariedade, recordando que muitos organismos recolhem, nesta ocasião, donativos “em favor das Igrejas e populações em dificuldade”.
A mensagem apresenta o jejum como “ocasião de crescimento”, colocando-se no lugar de quem não tem “sequer o mínimo necessário”, afetado pela fome.
A Quarta-feira de Cinzas é, juntamente com a Sexta-feira Santa, um dos únicos dias de jejum e abstinência obrigatórios para os católicos.
Francisco deixa votos de que estes apelos ultrapassassem as fronteiras da Igreja Católica, dirigindo-se a todos os que se preocupam com a “iniquidade no mundo” e o “gelo que paralisa os corações”, com a perda do sentido da humanidade comum.
“Uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos”.
O mesmo apelo inter-religioso estende-se à jornada mundial de oração e jejum pela paz, convocada para 23 de fevereiro, evocando em particular as vítimas dos conflitos na R. D. Congo e Sudão do Sul.
“Perante o trágico arrastamento de situações de conflito em diversas partes do mundo, convido todos os fiéis para uma jornada especial de oração e jejum pela paz, a 23 de fevereiro, sexta-feira da primeira semana da Quaresma”, anunciou o Papa.
Francisco alerta, na sua mensagem para a Quaresma 2018, para os “falsos profetas” do dinheiro e do lucro, que os considera responsáveis pela violência e o descarte dos mais fracos.
“O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, raiz de todos os males; depois dela, vem a recusa de Deus”, adverte.
No que diz respeito à oração e ao recolhimento na preparação para a Páscoa, o Papa dá ele próprio o exemplo, dedicando seis dias aos exercícios espirituais de Quaresma, fora do Vaticano, este ano com orientação do padre e poeta português Tolentino Mendonça, de 18 a 23 de fevereiro.
“O elogio da sede” é o tema do retiro do Papa Francisco e da Cúria Romana, na Casa do Divino Mestre, dos religiosos paulistas, em Ariccia, arredores de Roma.
Se unidos ao coração do nosso querido Papa Francisco, viveremos a Quaresma de uma forma santa, e depois desses quarenta dias de recolhimento, penitência, jejum e oração não seremos mais as mesmas pessoas. 
Fonte: Ecclesia 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que é a Vida Consagrada?

Hoje é dia do Consagrado! 

Desde o ano de 1997 o então Papa João Paulo II, instituiu esse dia de Festa na Igreja. São João Paulo II sempre gostou de enfatizar a importância da participação dos Consagrados na missão evangelizadora, chegou até mesmo a escrever uma Exortação Apostólica com o nome de "Vita Consecrata".
Separamos algumas citações do Site da Comunidade Católica Shalom, para que você neste dia, mergulhe mais sobre a realidade dos Consagrados na Igreja Católica, e como deve ser a sua vida de entrega e missão ao Senhor.


"A vida consagrada diz respeito a toda a Igreja; não é uma realidade isolada e marginal. Está colocada no próprio coração da Igreja. É elemento decisivo para a sua missão, já que exprime a íntima natureza da vocação cristã e a tensão da Igreja-Esposa para a união com o único Esposo. A vida consagrada faz parte da vida, santidade e missão da Igreja." 

"Ora, com a vida consagrada deseja-se ajudar o mundo neste suplemento de alma, nesta espiritualidade, nesta mística. A profissão dos conselhos evangélicos coloca os consagrados como sinal e profecia para a comunidade dos irmãos e irmãs e para o mundo." 

"Ora, a consagração religiosa é mudança total da pessoa em Jesus Cristo. A existência humana da pessoa se transfigura, se transforma, se converte, se muda, totalmente em Jesus Cristo. É entrega total a Nosso Senhor: é acolhimento total de Cristo na própria vida e na vida da Igreja. O consagrado faz de Cristo o sentido total da própria vida; preocupa-se em reproduzir, na medida do possível, “aquela forma de vida que o Filho de Deus assumiu ao entrar no mundo” (Lumen Gentium, 44). Às pessoas de vida consagrada Cristo pede uma adesão total, que implica o abandono de tudo (cf Mt 19,27), para viver na intimidade com Ele e segui-lo para onde quer que Ele vá (Apc 14,4)."

"A vida consagrada é, por isso, ícone da Transfiguração de Jesus no monte Tabor. É configuração a Cristo, é cristiformidade, prolongamento na história de uma presença especial do Senhor ressuscitado."

"A vida consagrada é um dos rastos concretos que a Trindade deixa na história para que os seres humanos possam sentir o encanto e a saudade da beleza divina."

"Também o seu estilo de vida deve deixar transparecer o ideal que professam, sendo sinal vivo do Deus vivo e pregação persuasiva, mesmo que muitas vezes silenciosa, do Evangelho."

"A vida consagrada faz parte intrínseca do Evangelho. Ela brota do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. É vivência a mais plena possível do Evangelho. Ela faz parte da estrutura carismática da Igreja, faz parte da vida e santidade da Igreja (Lumen Gentium, 44), santidade que é uma das notas essenciais da Igreja: Una Santa Católica Apostólica. Sem a vida consagrada a Igreja deixaria de ser Igreja, ver-se-ia privada de uma das notas essenciais do seu próprio ser íntimo. A Igreja produz santidade (a plenitude dos meios de salvação é confiada à Igreja) e ordena-se à santidade."

Fonte:Comunidade Católica Shalom


sábado, 6 de janeiro de 2018

CASA DE MARIA


CASA DE MARIA é atualmente o Centro de Evangelização da Comunidade Encontro. Localiza-se na localidade de São Simão, bairro IBC, na Cidade de Cachoeiro de Itapemirim/ES e abrange uma área de 34.000 m².

O processo de construção deste Centro de Evangelização e Prevenção faz parte das iniciativas do Projeto PHILOKALIA.



O espaço físico pretende compreender:

- Área de esportes (almoxarifado, lanchonete, banheiros, administração, salão de oração e refeitório); 
- Rádio e clube do ouvinte, TV, estúdio de vídeo/foto/imagem, informática e tecnologia; 
- Centro de artes (escola de música, teatro e academia de dança); 
- Espaço para retiros, eventos, celebrações (lanchonete, restaurante, estacionamento, área de camping, pousadas, loja, recepção); 
- Oficinas de artesanato; 
- Espaços para acompanhamentos de oração, formação e Confessionários; 

- Capelas do Santíssimo Sacramento;
- Espaço para a moradia e formação dos membros de comunidade de vida. 

Como chegar a CASA DE MARIA:




    sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

    Bem-Vindo à Casa da Mãe!

    A Comunidade Encontro, com a graça de Deus, completa mais um ano de vida, chegamos aos 17 anos!
    É momento de reconstrução em todos nós, somos formados dia-a-dia por Deus, lapidados por suas mãos. É hora de caminhar de uma forma cada vez mais profunda na vontade de Deus, neste ano não só completamos mais um ano de Fundação, é um ano que comemoramos a Refundação da Comunidade Encontro. 

    No dia 10 de Janeiro de 2018, celebraremos nosso aniversário de uma forma muito especial. Iniciando-se às 18 horas acontecerá a Cerimônia da Pedra Fundamental juntamente com a troca do nome do nosso Centro de Evangelização (localizado no IBC/São Simão, Cachoeiro-ES) de "Betesda" para "Casa de Maria".
    Após a benção da Pedra Fundamental, celebraremos a Santa Missa, presidida pelo Padre Juliano Ribeiro.



    Você é convidado(a) a participar conosco, é convidado à Casa de Maria entrar!

    Vem para a Festa, comemore esse momento de graça na Casa da Mãe!