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sábado, 15 de setembro de 2018

A tão sonhada paz!





Verdadeira paz encontrei em Jesus!
 O que essa foto te parece? O que você sente e enxerga ao olhar pra ela? Seja sincero(a)... Pode ir até onde quiser, mas retire dela os sentimentos que vem ao seu
coração.





Para quem não me conhece, essa na foto sou eu, Letícia Debona de Freitas, cofundadora da Comunidade Encontro, pilar da Verdade. E vou nesse texto partilhar um pouco com vocês sobre o fato lindo de ter encontrado meu lugar de paz e Aquele que me deu essa paz. 

Estou na Comunidade Encontro há quase nove anos, quando comecei a caminhar, tinha 16 anos. Haviam em meu coração muitos sonhos e projetos, desejos a serem realizados. Mas em nenhuma dessas coisas encontrava minha paz.
Sempre tive uma família presente, amigos, já havia namorado, era uma boa aluna, me relacionava bem com as pessoas ao meu redor, existiam sim algumas coisas meio “mais ou menos”, porém nada de muito grave. Eu era feliz, muito feliz até, mas não completamente realizada e em paz.
Você já ouviu dizer que paz não é a ausência de problemas e sim um estado da nossa alma?!
Pois é, em comunidade entendi muito isso!
Depois que entrei na comunidade, pude conhecer quem eu era. Conhecendo-me, aprendi a ser melhor, aprendi que amar era melhor. Vivi muitas dificuldades, muitas, muitas, muitas lutas e batalhas, e até guerras. Passei por momentos bastante fortes em meu caminho vocacional. Imprensas, apertões, enxergava-me sendo convidada por Deus a mudanças diárias. Mudanças que eu nem sempre queria colaborar.
Mas espera aí, minha vida vocacional não se resumiu somente nisso né?!
Conduzida por Deus nessas coisas, pude também ser muito amada por Ele ao ser conduzida por caminhos de muita felicidade, realização, crescimento e encontros, encontros e mais encontros.
Aprendi a ser melhor, ainda tenho MUITO o que mudar, mas Deus já me tornou bem melhor. Sou uma mulher que descobriu muitos talentos, que aprendeu a dizer “Eu te amo”, um filha que reconhece todo o amor de seus pais e o quanto eles lhes são importantes, uma irmã que viu em seu irmão um grande amigo, uma irmã de comunidade que passou a ver em seus irmãos tudo o que ela precisa para ser uma pessoa ainda melhor.
Essa foto mostra isso: EU ME ENCONTREI! Eu vivo em paz , eu encontrei meu lugar, estou tranquila porque sei que Deus me ama e que Ele fará de tudo, como já assim o fez, para que eu seja santa. Ele mostra que eu sei que posso esperar Nele, que não preciso de mais nada, 'só Deus basta’. Mostra também uma pessoa que mesmo cansada ao fim do dia, olha ao seu redor, respira fundo, e até chora, diante de tanta coisa boa que sente, porque sabe que está onde Deus quer. Sou encontro, estou em paz e amo Aquele que tudo em mim realizou!
Agora te faço outra pergunta: E você? Quando vai começar a viver isso também?

Será uma paz armada, amigos,
será toda a vida uma batalha;
porque a cratera da carne só se cala
quando a morte fizer calar as suas brasas.

Sem fogo na lareira e com o sonho mudo,
sem filhos sobre os joelhos e a serem beijados,
sentireis às vezes o gelo ao redor de vós,
e sereis beijados muitas vezes pela solidão.
Não deixareis o coração sem núpcias.
Devereis amar tudo, todos, todas,
discípulos Daquele que amou por primeiro.

Perdida pelo Reino e conquistada,
será uma paz tão livre quanto armada,
será o amor amado com todo o corpo.
CASALDÁLIGA, TORRE MEDINA.


Por Letícia Debona, Cofundadora da Comunidade Encontro
Vocacional Encontro 2018

Acesse:

Amamos te encontrar!


terça-feira, 4 de setembro de 2018

#FRANCISCOESTOUAQUI



#FranciscoEstouAqui é a campanha que a SIGNIS Brasil Jovem – Associação Católica de Comunicação - lança nas redes sociais em apoio ao papa Francisco. Algumas declarações tendenciosas e conflituosas na Igreja favorecem a disseminação de notícias falsas com a intenção de desestabilizar o pontificado do papa, que atua sem medir esforços, na construção de uma cultura de paz, justiça e solidariedade entre os cristãos e a todos os homens e mulheres de boa vontade (Lc 2,14).
Com a hashtag #FranciscoEstouAqui, jovens de todo o Brasil pretendem inundar os espaços digitais com uma mensagem alegre, criativa e orante de apoio e carinho ao papa Francisco.
#ParaCegoVer A imagem contém um fundo roxo e uma foto do Papa Francisco com a hashtag #FranciscoEstouAqui.
Fique por dentro, entre nessa você também! 

A Comunidade Encontro estará sempre aqui #PapaFrancisco, e você? 

Fonte: #Franciscoestouaqui 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

AFINAL, O QUE SIGNIFICA SER FAMÍLIA?



Por Fernando Acácio de Oliveira[1]
  Yasmin Maia Viana[2]
Atualmente em nossa sociedade ouvem-se muitas discussões sobre as famílias e suas relações no mundo. Discute-se se existem entre as famílias atitudes de diálogo, presença, responsabilidade profissional, comprometimento, experiências compartilhadas e a arte de amar apontadas como ingredientes básicos da humanização familiar, envolvida num processo de cuidado e respeito dentro do conjunto social.
Fazendo um resgate histórico, vemos que na antiguidade, o conceito de família era ligado à noção de convivência por mera necessidade, sem a existência de laços socioafetivos. Atualmente, a Constituição Federal apresenta uma visão funcionalizada da família, à luz da socialidade, assentada na realização da felicidade.
Sob o olhar do direito civil, vemos que antes de CRFB/88, o direito nacional somente reconhecia a família criada com o casamento. Com a Carta Magna de 1988, o constituinte passou a abordar como núcleos familiares típicos: o casamento (art. 226 § 1º e 2º), a união estável (art. 226, § 3°) e a família monoparental (formada por quaisquer dos pais e seus descendentes).
Maria Helena Diniz, afirma que “Família no sentido amplíssimo seria aquela em que indivíduos estão ligados pelo vínculo da consanguinidade ou da afinidade. Já a acepção lato sensu do vocábulo refere-se àquela formada além dos cônjuges ou companheiros, e de seus filhos, abrange os parentes da linha reta ou colateral, bem como os afins (os parentes do outro cônjuge ou companheiro). Por fim, o sentido restrito restringe a família à comunidade formada pelos pais (matrimônio ou união estável) e a da filiação”. (Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito de Família. 23ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008).

Orlando Gomes, por sua vez, afirma que família é “o grupo fechado de pessoas, composto dos genitores e filhos, e para limitados efeitos, outros parentes, unificados pela convivência e comunhão de afetos, em uma só e mesma economia, sob a mesma direção”. (GOMES, Orlando. Direito de Família. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p. 33).
No direito atual, o conceito de família está intimamente ligado ao afeto, que é o principal suporte fático para a aplicação das normas. Tanto é que, em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal (RE 898.060-SP) reconheceu que a pessoa não precisa abrir mão da paternidade socioafetiva para ter a paternidade biológica.
Nota-se, portanto, que o conceito de família, para o ordenamento jurídico vigente está notadamente ligado ao afeto, ao amor e a felicidade, considerando tanto critérios biológicos quanto afetivos.
Vejamos que o Papa Francisco em mensagem para I Congresso Latino-americano da Pastoral Familiar, no Panamá, organizado pelo Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), disse com uma pergunta “O que é a família?”, a qual respondeu: “é um centro de amor onde reina a lei do despeito e da comunhão, capaz de resistir às manipulações mundanas”. Acrescentou também, “que é na família permite-se superar a falsa oposição entre indivíduo e sociedade e no seio dela ninguém é descartado [...], todos os idosos e crianças encontram acolhida. É na família que nasce a cultura do encontro e do diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência”.
No catecismo da Igreja Católica vemos que “a família é a comunidade na qual, desde a infância se podem assimilar os valores morais em que se pode começar a honrar Deus e a usar corretamente da liberdade. A família é iniciação para a vida na sociedade” (CIgC, 2207).
Diante disso, vemos que a família é a comunidade de amor mais adequada para o ser humano se estruturar como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar. É na família que a natureza humana encontra as melhores condições para emergir como vida pessoal e convergir para a comunhão amorosa. Por outras palavras, a família é um contexto humano excepcional para a humanização das pessoas.
Jesus tinha plena consciência que a sua missão implicava no direcionamento da família na incorporação das pessoas humanas com a comunhão familiar de Deus. No capítulo três do Evangelho de Marcos diz que “chegaram sua mãe e seus irmãos que queriam falar com Jesus [...]. Jesus respondeu: Quem são minha mãe e meus irmãos? [...]. Aí estão minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 31-35). Eis aí a razão pela qual Jesus anunciava o Reino de Deus, isto é, a Família de Deus, a qual assenta nos laços da Palavra e da comunhão.
Por fim, podemos dizer que a família é a célula mãe da sociedade. Vemos que no ordenamento jurídico com suas especificações ser família perpassa pela construção da sociedade. É na família que se inicia a dinâmica básica da humanização que acontece como emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal. Por outras palavras, a família humana é uma mediação fundamental para acontecer à edificação da família divina, a qual transcende os laços da carne e do sangue. Que nas relações no interior de nossas famílias possam ter uma afinidade de sentimentos humanizadores, afetos comunhão e vivencia espiritual, originada principalmente do respeito mútuo e do diálogo entre seus membros.



[1] Yasmin Maia Viana é bacharel em Direito pela FDCI (Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim). Pós-graduada em Direito Eleitoral pela Damásio Educacional. Advogada (OAB/ES 23.544).
[2] Fernando Acácio de Oliveira é seminarista da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES, licenciado em Filosofia pela FCS-ES, especialista em Comunicação Social pela PUC-SP/SEPAC-Paulinas e pós-graduado em Sagrada Escritura pelo Centro Universitário Claretiano-SP. Atualmente está graduando em Teologia no IFTES-ES e pós-graduando em Direito Matrimonial Canônico no ISTA-BH.




domingo, 19 de agosto de 2018

Papa Francisco: vocação é escuta, discernimento e vida

A nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina, para a qual é preciso um processo de discernimento.

Escutar, discernir e viver a Palavra de Deus
Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, é preciso escutar, discernir e viver a Palavra, que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo, nos permite render nossos talentos, fazendo de nós instrumentos de salvação no mundo e orientando-nos à plenitude da felicidade.
O chamado do Senhor não é evidente, como tantas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Ler os sinais dos tempos com os olhos da fé

Por isso, é preciso “preparar-se à uma escuta profunda da sua Palavra, prestar atenção aos seus detalhes diários e aprender a ler os sinais dos tempos com os olhos da fé, sempre abertos às surpresas do Espírito”.
Cada um de nós pode descobrir a própria vocação através do discernimento espiritual. Hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, para superar as tentações da ideologia e do fatalismo. Todo cristão deveria desenvolver a capacidade de ler os acontecimentos da vida e identificar o que o Senhor quer de nós, para continuarmos a sua missão.

                                                    Assumir a própria vocação
A vocação realiza-se hoje! A missão cristã é para o momento presente! Cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – a ser testemunha do Senhor, aqui e agora.

O Senhor continua nos chamando a segui-lo. Respondamos a Ele com o nosso generoso “sim”: “Eis-me aqui”.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ABORTO: UM ATENTADO CONTRA A VIDA

Por Seminarista Fernando Acácio de Oliveira
Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES.
Na sociedade atual, com toda a liquidez de valores a vida passou a ser um fato banal, sem importância. E muito mais grave quando a prática do aborto ataca vidas indefesas, inocentes e frágeis. Atentar contra a vida de um indefeso é atentar contra a própria existência humana. Do direito à vida derivam todos os outros direitos, dos quais aquele é condição necessária. As diversas justificações que estão sendo elaboradas para referendar a prática do aborto, tem como raiz comum deslegitimar a presença e alteridade do nascituro como pessoa humana atendendo interesses ou situações às vezes sentimentais, outras de conforto financeiro, ou de dominação imperial, chamando de interrupção da gravidez, o que os bombardeios inteligentes chamam de danos colaterais, ou seja, eliminação de vidas humanas. O termo “nascituro” aqui é entendido em sua etimologia que significa “aquele que há de nascer”.
A prática do aborto direto é condenável em razão de provocar a morte de um ser humano considerado inocente, o que constitui uma situação de tríplice injustiça: contra a existência humana da própria mulher, que sofrerá corporalmente e afetivamente ato abortivo; contra o próximo, que é privado do direito de existir como pessoa; e contra a sociedade, que perde um de seus membros. A inocência presumida do nascituro vem do fato de ser ele incapaz de ato moral e de proteger-se de uma agressão.
O argumento da defesa da vida, contra a prática do aborto, perpassa na reflexão de entender o nascituro como pessoa possuidora de direitos desde a sua concepção, antes mesmo da concessão destes pela sociedade, dada sua essência totalmente humana. Assim, o direito à vida apresenta-se como um direito ao mesmo tempo sagrado, existencial, natural e social. A prática abortiva é sim um atentado contra a vida! Ainda que a realização de um aborto possa conduzir ao alcance de certos bens, como a suposição da saúde ou a vida da mãe, é sempre injustificável. Outras razões, como as dificuldades que possa significar um filho a mais, especialmente se apresenta com anomalias graves, a desonra ou o desprestígio social, ainda que consideráveis, também não legitimam o ato abortivo.
Aborto não é solução! Solução são nossas autoridades políticas e os diversos órgãos ligados à saúde criarem com efetividade e qualidade centros de ajuda social, atenção, cuidado e assessoria para a mulher, especialmente em casos de gravidez indesejada e de doenças ligadas ao nascituro. Dessa maneira, a vida humana será respeitada e protegida de modo absoluto, desde o momento da concepção. O respeito da vida aparece como um dos princípios mais fundamentais e evidentes. A noção de base é o respeito da vida humana integralmente, do início ao fim.
 

domingo, 5 de agosto de 2018

Vocacional Encontro 2018

ENCONTRAR Deus, ENCONTRAR a si mesmo, ENCONTRAR os irmãos, TE ENCONTRAR... 
Estamos indo ao seu encontro! 

"Meu coração arde, vejo uma luz brilhar em meio a escuridão, me encontro inquieto e preciso descobrir o que há dentro de mim, as coisas que vivo já não me preenchem, quero mais, mais de Deus, me entregar mais, me doar mais. Deus me pede respostas, decisões, nenhum dia da minha vida consigo parar de pensar no que possa ser isso..." 

Ei, se Deus te chama se liga aí. 

Abrimos hoje as inscrições para o nosso Encontro Vocacional 2018, que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de Setembro em nosso Centro de Evangelização, "Casa de Maria". 

Se você deseja se encontrar, e tem 16 anos ou mais, acesse o link abaixo e faça sua inscrição: 

https://goo.gl/forms/RqECsZELj4CV8Eim2


NÃO TENHA MEDO, 
AMAMOS TE ENCONTRAR! 





sexta-feira, 8 de junho de 2018

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta e dedicou a sua homilia ao amor de Deus.



No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Fonte: Vatican News 

quarta-feira, 28 de março de 2018

INFOGRÁFICO: Medite os dias mais importantes do ano


O ponto mais alto da Semana Santa é o chamado Triduum Sacrum, em que vivenciamos os mistérios dos três dias sagrados:

Na Quinta-Feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia na última Ceia e, em função dela, a instituição do sacerdócio ministerial. Jesus quis dar um sinal visível para deixar claro seu amor até o fim.

Na Sexta-feira Santa fazemos memória da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o único dia no ano em que não se celebra a Missa. Temos a celebração da Paixão preferencialmente às 15 horas, a hora em que Jesus morreu. É uma celebração antiga e tradicional entre os católicos. Trata-se de uma celebração da Palavra especial, marcada por cânticos e ritos. Ela se inicia com um grande silêncio, durante o qual o sacerdote e os auxiliares permanecem prostrados no chão. Com esse gesto inusitado, os celebrantes expressam a ideia de que só conseguimos nos aproximar do mistério da morte de Jesus na Cruz quando estamos em silêncio.

O Sábado Santo é marcado pelo silêncio do sepulcro. Jesus está morto. Cristo desceu ao reino da morte, ao Hades, o reino das sombras, a Mansão dos Mortos. Posso imaginar como Jesus desce aos cantos tenebrosos de minha própria existência. O que excluo da vida? Quais os lugares para os quais não gosto de olhar? Jesus Se propõe a descer exatamente a esses rincões da morte e da escuridão, para mexer em tudo o que há de escuro e rançoso em mim, tudo o que há de mortiço e entorpecido, e então despertar-me para a vida. Na manhã do Sábado Santo, Cristo desce ao sepulcro de meu medo, minha resignação, minha auto-compaixão e minha morbidez, a fim de salvar-me e transformar-me no mais fundo de minha alma.

Sábado à noite, celebra-se a Vigília Pascal, a “Mãe de todas as Vigílias”! Essa grande e solene Missa compreende diversos momentos: a celebração da luz, em que se abençoa e acende o Círio Pascal, que representa a Luz de Cristo ressuscitado; a meditação sobre as maravilhas que Deus realizou desde o início pelo seu povo, em que contemplamos a história da salvação por meio das leituras do Antigo e do Novo Testamento. É a história do povo de Deus que confiou em Sua Palavra e Sua Promessa; o rito batismal e o rito eucarístico.

Com a participação na Vigília e na Liturgia do Domingo de Páscoa, fazemos a experiência da ressurreição de Cristo em nossa vida, Cristo ressurge em minha vida, apontando novos caminhos. Ele vem até mim para mostrar-me que a ressurreição transforma em êxito o que parecia perdido. O que estava morto renasce, e a escuridão torna-se luz. A fé na ressurreição cura as mágoas de minha vida e ensina-me a erguer-me e prosseguir em direção à verdadeira vida, à vida que Deus concebeu para mim.

sábado, 17 de março de 2018

Como perdoar quem nos magoou?

     Talvez um dos nossos grandes desafios seja perdoar àqueles que nos feriram, machucaram com atitudes, omissões, agressões verbais e até mesmo físicas. A dor que fica em nosso coração muitas vezes é grande demais, com frequência fecha o nosso coração para o amor. Não só com aquele que nos atacou, mas também em relação a todas as outras pessoas, passo a desconfiar, não quero me entregar para ser maltratado novamente. Mas nosso coração ferido pode ser curado, pois acima de qualquer injúria está a misericórdia de Deus, que nos perdoa infinitamente perdoa igualmente meus agressores.
     Por que perdoar? Primeiramente, porque é isso que Deus faz com cada um que peca e se arrepende:




    Ou seja, se Ele acolhe a todos, minha primeira tarefa é compreender que a misericórdia de Deus alcança a todos e pode tanto me curar quanto levar ao arrependimento os meus agressores. Lembre-se das palavras de Jesus ao ser crucificado: "Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem". (Lc 23, 34). Esse já é um grande motivo para sermos misericordiosos, como nosso Deus é misericordioso. Aquele que fere também sofre com o próprio mal que faz. Podemos pensar também quantas pessoas precisam ser compreensivas, pacientes e misericordiosas conosco, quando agimos mal e falhamos com os que amamos.
     Como perdoar? Aqui está o grande segredo do cristão, que deseja do fundo do seu coração viver o Evangelho, que nos manda amar uns aos outros, como o próprio Jesus nos amou (cf. Jo 13, 34): A oração. Essa é a nossa grande arma, rezar! O Pai nosso pode ser um grande começo para essa libertação, principalmente o trecho "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". A oração insistente, pedindo a Deus a graça de superar a dor de todo mal causado por uma ou mais pessoas com certeza é sempre ouvida por Deus, que "não recusa os seus bens àqueles que caminham na inocência" (Sl 83,12) e crer que Ele fará esse grande prodígio de nos emprestar seu coração e assim sermos capazes de amar livremente, como Deus mesmo ama cada um de seus filhos.
     Faça isso hoje! A sensação de liberdade é tão grande e forte que não vale a pena deixar para amanhã para experimentá-la. Confie em Cristo! "Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível." (Mt 19, 26) nos diz o próprio Senhor. Ele está do seu lado, querendo dar-te esse presente, a graça de perdoar, amar e ser feliz pro resto da vida e vencer todos os desafios, na liberdade daqueles que se decidem pela vida, pelo perdão e pela santidade.

quarta-feira, 7 de março de 2018

O que São João Paulo II disse às mulheres?

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
ÀS MULHERES



A vós, mulheres do mundo inteiro, 
a minha mais cordial saudação!


 A cada uma de vós dirijo esta Carta, sob o signo da solidariedade e da gratidão, ao aproximar-se a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, que terá lugar em Pequim no próximo mês de Setembro.

Antes de mais, desejo exprimir o meu vivo apreço à Organização das Nações Unidas, que promoveu uma iniciativa de tamanha importância. Também a Igreja se propõe oferecer a sua contribuição para a defesa da dignidade, do papel e dos direitos das mulheres, não só através da específica colaboração da Delegação oficial da Santa Sé nos trabalhos de Pequim, como também falando directamente ao coração e à mente de todas as mulheres. Recentemente, por ocasião da visita que a Senhora Gertrudes Mongella, Secretária Geral da Conferência, me fez tendo em vista precisamente tão significativo encontro, quis entregar-lhe uma Mensagem, na qual estão recolhidos alguns pontos fundamentais do ensinamento da Igreja a este respeito. É uma mensagem que, para além da específica circunstância que a inspirou, se abre para a perspectiva mais ampla da realidade e dos problemas das mulheres no seu conjunto, pondo-se ao serviço da sua causa na Igreja e no mundo contemporâneo. Por isso, dei instruções para que fosse transmitida a todas as Conferências Episcopais, para garantir a sua máxima difusão.

Retomando quanto escrevi em tal documento, gostaria agora de me dirigir diretamente a cada mulher, para refletir com ela sobre os problemas e perspectivas da condição feminina no nosso tempo, detendo-me em particular sobre o tema essencial da dignidade e dos direitos das mulheres, considerados à luz da Palavra de Deus.

O ponto de partida deste diálogo ideal não pode ser senão um obrigado. A Igreja — escrevia na Carta apostólica Mulieris dignitatem— « deseja render graças à Santíssima Trindade pelo "mistério da mulher" — por toda a mulher — e por aquilo que constitui a eterna medida da sua dignidade feminina, pelas "grandes obras de Deus" que, na história das gerações humanas, nela e por seu meio se realizaram » (n. 31).

 O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.

Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do « mistério », à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta « esponsal », que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples facto de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.

 Mas agradecer não basta, já sei. Infelizmente, somos herdeiros de uma história com imensos condicionalismos que, em todos os tempos e latitudes, tornaram difícil o caminho da mulher, ignorada na sua dignidade, deturpada nas suas prerrogativas, não raro marginalizada e, até mesmo, reduzida à escravidão. Isto impediu-a de ser profundamente ela mesma, e empobreceu a humanidade inteira de autênticas riquezas espirituais. Não seria certamente fácil atribuir precisas responsabilidades, atendendo à força das sedimentações culturais que, ao longo dos séculos, plasmaram mentalidades e instituições. Mas, se nisto tiveram responsabilidades objectivas, mesmo não poucos filhos da Igreja, especialmente em determinados contextos históricos, lamento-o sinceramente. Que este pesar se traduza, para toda a Igreja, num compromisso de renovada fidelidade à inspiração evangélica que, precisamente no tema da libertação das mulheres de toda a forma de abuso e de domínio, tem uma mensagem de perene atualidade, que brota da atitude mesma de Cristo. Ele, superando as normas em vigor na cultura do seu tempo, teve para com as mulheres uma atitude de abertura, de respeito, de acolhimento, de ternura. Honrava assim, na mulher, a dignidade que ela sempre teve no projeto e no amor de Deus. Ao fixar o olhar n'Ele, no final deste segundo milênio, vem-nos espontaneamente a pergunta: em que medida a sua mensagem foi recebida e posta em prática?

Sim, é tempo de olhar, com a coragem da memória e o sincero reconhecimento das responsabilidades, a longa história da humanidade, para a qual as mulheres deram uma contribuição não inferior à dos homens, e a maior parte das vezes em condições muito mais desfavoráveis. Penso, de modo especial, nas mulheres que amaram a cultura e a arte, e às mesmas se dedicaram partindo de condições desvantajosas, excluídas frequentemente de uma educação paritária, submetidas à inferiorização, ao anonimato e até mesmo à expropriação da sua contribuição intelectual. Infelizmente, da obra imensa das mulheres na história, bem pouco restou de significativo com os métodos da historiografia científica. Mas, por sorte, se o tempo sepultou os seus vestígios documentais, não é possível não perceber os seus influxos benfazejos na seiva vital que impregna o ser das gerações, que se foram sucedendo até à nossa. Relativamente a esta grande, imensa « tradição » feminina, a humanidade tem uma dívida incalculável. Quantas mulheres foram e continuam ainda a ser valorizadas mais pelo aspecto físico que pela competência, pela profissionalidade, pelas obras da inteligência, pela riqueza da sua sensibilidade e, em última análise, pela própria dignidade do seu ser!

 Que dizer também dos obstáculos que, em tantas partes do mundo, impedem ainda às mulheres a sua plena inserção na vida social, política e econômica? Basta pensar como, com frequência, é mais penalizado que gratificado o dom da maternidade, à qual, todavia, a humanidade deve a sua própria sobrevivência. Certamente, resta ainda muito a fazer para que o ser mulher e mãe não comporte discriminação. Urge conseguir onde quer que seja a igualdade efetiva dos direitos da pessoa e, portanto, idêntica retribuição salarial por categoria de trabalho, tutela da mãe-trabalhadora, justa promoção na carreira, igualdade entre cônjuges no direito de família, o reconhecimento de tudo quanto está ligado aos direitos e aos deveres do cidadão num regime democrático.

Trata-se não só de um ato de justiça, mas também de uma necessidade. Na política do futuro, os graves problemas em aberto verão sempre mais envolvida a mulher: tempo livre, qualidade da vida, migrações, serviços sociais, eutanásia, droga, saúde e assistência, ecologia, etc. Em todos estes campos, se revelará preciosa uma maior presença social da mulher, porque contribuirá para fazer manifestar as contradições de uma sociedade organizada sobre critérios de eficiência e produtividade, e obrigará a reformular os sistemas a bem dos processos de humanização que delineiam a « civilização do amor ».

 Pensando, depois, a um dos aspectos mais delicados da situação feminina no mundo, como não lembrar a longa e humilhante história — com frequência, « subterrânea » — de abusos perpetrados contra as mulheres no campo da sexualidade? No limiar do terceiro milênio, não podemos permanecer impassíveis e resignados diante deste fenômeno. Está na hora de condenar vigorosamente, dando vida a apropriados instrumentos legislativos de defesa, as formas de violência sexual, que não raro têm a mulher por objecto. Mais, em nome do respeito pela pessoa, não podemos não denunciar a difusa cultura hedonista e mercantilista que promove a exploração sistemática da sexualidade, levando mesmo meninas de menor idade a cair no circuito da corrupção e a permitir comercializar o próprio corpo.

Por outro lado, diante de tais perversões, quanto louvor merecem as mulheres que, com amor heroico pela sua criatura, carregam uma gravidez devida à injustiça de relações sexuais impostas pela força; e isto não só no quadro das atrocidades que, infelizmente, se verificam nos contextos de guerras, ainda tão frequentes no mundo, mas também nas situações de bem-estar e de paz, não raro viciadas por uma cultura de permissivismo hedonista, na qual prosperam facilmente também tendências de machismo agressivo. Nestas condições, a escolha do aborto, que permanece sempre um pecado grave, antes de ser uma responsabilidade atribuível à mulher, é um crime que deve ser imputado ao homem e à cumplicidade do ambiente circundante.

 Assim, o meu « obrigado » às mulheres converte-se num premente apelo a que, da parte de todos, particularmente dos Estados e das Instituições Internacionais, se faça o que for preciso para devolver à mulher o pleno respeito da sua dignidade e do seu papel. A este respeito, não posso deixar de manifestar a minha admiração pelas mulheres de boa vontade que se dedicaram a defender a dignidade da condição feminina, através da conquista de direitos fundamentais sociais, econômicos e políticos, e assumiram corajosamente tal iniciativa em épocas em que este seu empenho era considerado um ato de transgressão, um sinal de falta de feminilidade, uma manifestação de exibicionismo, e talvez um pecado!

Como escrevi na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, ao contemplar este grande processo de libertação da mulher, pode-se dizer que « foi um caminho difícil e complexo e, por vezes, não isento de erros, mas substancialmente positivo, apesar de ainda incompleto devido a tantos obstáculos que, em diversas partes do mundo, se interpõem não deixando que a mulher seja reconhecida, respeitada, valorizada na sua peculiar dignidade » (n. 4).

É preciso continuar neste caminho! Estou convencido, porém, que o segredo para percorrer diligentemente a estrada do pleno respeito da identidade feminina não passa só pela denúncia, apesar de necessária, das discriminações e das injustiças, mas também, e sobretudo, por um eficaz e claro projeto de promoção, que englobe todos os âmbitos da vida feminina, a partir de uma renovada e universal tomada de consciência da dignidade da mulher. Ao reconhecimento desta, não obstante os múltiplos condicionalismos históricos, leva-nos a própria razão, que capta a lei de Deus inscrita no coração de cada homem. Mas é sobretudo a Palavra de Deus, que nos permite identificar com clareza o radical fundamento antropológico da dignidade da mulher, apontando-o no desígnio de Deus sobre a humanidade.

 Permiti-me, pois, caríssimas irmãs, que juntamente convosco, medite uma vez mais aquela página bíblica maravilhosa que mostra a criação do homem, e na qual se exprime bem a vossa dignidade e missão no mundo.

O Livro do Génesis fala da criação, de modo sintético e com linguagem poética e simbólica, mas profundamente verdadeira: « Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou varão e mulher » (Gn 1, 27). O acto criador de Deus desenvolve-se segundo um preciso projecto. Antes de mais, diz que o homem é criado « à imagem e semelhança de Deus » (cf. Gn 1, 26), expressão que esclarece logo a peculiaridade do homem no conjunto da obra da criação.

Depois, diz que ele, desde o início, é criado como « varão e mulher » (Gn 1, 27). A mesma Sagrada Escritura fornece a interpretação deste dado: o homem, mesmo encontrando-se rodeado pelas inumeráveis criaturas do mundo visível, dá-se conta deestar só (cf. Gn 2, 20). Deus intervém para fazê-lo sair desta situação de solidão: « Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele » (Gn 2, 18). Portanto, na criação da mulher está inscrito, desde o início, o princípio do auxílio: auxílio — note-se — não unilateral, mas recíproco. A mulher é o complemento do homem, como o homem é o complemento da mulher: mulher e homem são entre si complementares. A feminilidade realiza o « humano » tanto como a masculinidade, mas com uma modulação distinta e complementar.

Quando o Gênesis fala de « auxiliar », não se refere só ao âmbito do agir, mas também do ser. Feminilidade e masculinidade são entre si complementares, não só do ponto de vista físico e psíquico, mas também ontológico. Só mediante a duplicidade do « masculino » e do « feminino », é que o « humano » se realiza plenamente.

 Depois de criar o homem, varão e mulher, Deus diz a ambos: « Enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28). Não lhes confere só o poder de procriar para perpetuar no tempo o gênero humano, mas confia-lhes também a terra como tarefa, comprometendo-os a administrar os seus recursos com responsabilidade. O homem, ser livre e racional, é chamado a transformar a face da terra. Nesta tarefa, que é essencialmente a obra da cultura, tanto o homem como a mulher têm, desde o início, igual responsabilidade. Na sua reciprocidade esponsal e fecunda, na sua tarefa comum de dominar e submeter a terra, a mulher e o homem não refletem uma igualdade estática e niveladora, mas tampouco comportam uma diferença abissal e inexoravelmente conflituosa: a sua relação mais natural, conforme ao desígnio de Deus, é a « unidade dos dois », ou seja, uma « uni dualidade » relacional, que permite a cada um de sentir a relação interpessoal e recíproca como um dom enriquecedor e responsabilizador.

A esta « unidade dos dois », está confiada por Deus não só a obra da procriação e a vida da família, mas a construção mesma da história. Se durante o Ano Internacional da Família, celebrado em 1994, a atenção se concentrou sobre a mulher como mãe, a Conferência de Pequim torna-se ocasião propícia para uma nova tomada de consciência da múltipla contribuição que a mulher oferece à vida inteira das sociedades e nações. É uma contribuição, inicialmente de natureza espiritual e cultural, mas também sócio-política e econômica. Devem realmente muito ao subsídio da mulher, os vários sectores da sociedade, os Estados, as culturas nacionais, e, em última análise, o progresso de todo o gênero humano!

 Normalmente, o progresso é avaliado segundo categorias técnicas e científicas; ora, até sob este ponto de vista, não falta a contribuição da mulher. Mas, essas não são as únicas dimensões do progresso, antes, não são sequer as principais. Mais importante ainda é a dimensão ético-social, que diz respeito às relações humanas e aos valores do espírito: e, nesta dimensão, frequentemente desenvolvida sem alarde, a partir das relações quotidianas entre as pessoas, especialmente dentro da família, a sociedade é em larga medida devedora, precisamente ao « gênio da mulher ».

A este respeito, gostaria de manifestar particular gratidão às mulheres empenhadas nos mais distintos sectores da actividade educativa, para além da família: infantários, escolas, universidades, instituições de assistência, paróquias, associações e movimentos. Onde quer que se revele necessário um trabalho de formação, pode-se constatar a imensa disponibilidade das mulheres a dedicarem-se às relações humanas, especialmente em prol dos mais débeis e indefesos. Nesse trabalho, elas realizam uma forma de maternidade afectiva, cultural e espiritual, de valor realmente inestimável, pela incidência que tem no desenvolvimento da pessoa e no futuro da sociedade. E como não lembrar aqui o testemunho de tantas mulheres católicas e de tantas Congregações religiosas femininas, que, nos vários continentes, fizeram da educação, especialmente dos meninos e meninas, o seu principal serviço? Como não pensar com espírito de gratidão a todas as mulheres que operaram, e continuam a fazê-lo, no campo da saúde, não só no âmbito das instituições sanitárias bem organizadas, mas, com frequência, em circunstâncias muito precárias, nos países mais pobres do mundo, dando um testemunho de disponibilidade que toca não raro o martírio?

 Faço votos pois, caríssimas irmãs, que se reflita com particular atenção sobre o tema do « gênio da mulher », não só para nele reconhecer os traços de um preciso desígnio de Deus, que há-de ser acolhido e honrado, mas também para lhe dar mais espaço no conjunto da vida social, bem como da vida eclesial. Precisamente sobre este tema, de resto já considerado por ocasião do Ano Mariano, pude deter-me amplamente na mencionada Carta apostólica Mulieris dignitatempublicada em 1988. Além disso, este ano, por ocasião da Quinta-Feira Santa, quis unir idealmente a Mulieris dignitatem à habitual Carta que envio aos sacerdotes convidando-os a refletirem sobre o significativo papel que na sua vida desempenha a mulher como mãe, como irmã e como colaboradora nas obras de apostolado. Esta é outra dimensão — distinta da conjugal, mas importante também — daquele « auxílio » que a mulher, segundo o Gênesis, é chamada a prestar ao homem.

A Igreja vê, em Maria, a máxima expressão do « gênio feminino » e encontra n'Ela uma fonte incessante de inspiração. Maria definiu-Se « serva do Senhor » (cf. Lc 1, 38). É por obediência à Palavra de Deus que Ela acolheu a sua vocação privilegiada, mas nada fácil, de esposa e mãe da família de Nazaré. Pondo-Se ao serviço de Deus, Ela colocou-Se também ao serviço dos homens: um serviço de amor. Este mesmo serviço permitiu-Lhe realizar na sua vida a experiência de um misterioso, mas autêntico « reinar ». Não é por acaso que é invocada como « Rainha do céu e da terra ». Assim a invoca toda a comunidade dos crentes; invocam-na como « Rainha » muitas nações e povos. O seu « reinar » é servir! O seu servir é « reinar »!

Assim deveria ser entendida a autoridade, tanto na família, como na sociedade e na Igreja. O « reinar » é revelação da vocação fundamental do ser humano, enquanto criado à « imagem » d'Aquele que é Senhor do céu e da terra, e chamado a ser em Cristo seu filho adotivo. O homem é a única criatura sobre a terra « a ser querida por Deus por si mesma », como ensina o Concílio Vaticano II, o qual, de modo significativo, acrescenta que o homem « não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo » (Gaudium et spes24).

Nisto consiste o materno « reinar » de Maria. Tendo-Se feito, com todo o seu ser, dom para o seu Filho, Ela veio a tornar-Se também dom para os filhos e filhas de todo o gênero humano, gerando uma profundíssima confiança em quem a Ela recorre para ser guiado pelos caminhos difíceis da vida até ao próprio destino definitivo e transcendente. Cada um chega através das etapas da própria vocação a esta meta final, uma meta que orienta o empenho na história tanto do homem como da mulher.

 Neste horizonte de « serviço » — que, se prestado com liberdade, reciprocidade e amor, exprime a verdadeira « realeza » do ser humano — é possível acolher também, sem consequências desfavoráveis para a mulher, uma certa diversidade de papéis, na medida em que tal diversidade não é fruto de arbitrária imposição, mas brota da peculiaridade do ser masculino e feminino. É um tema que tem a sua específica aplicação, mesmo no seio da Igreja. Se Cristo — por escolha livre e soberana, bem testemunhada no Evangelho e na constante tradição eclesial — confiou somente aos homens a tarefa de ser « ícone » da sua imagem de « pastor » e « esposo » da Igreja através do exercício do sacerdócio ministerial, isto em nada diminui o papel da mulher, como afinal sucede com os outros membros da Igreja não investidos do sagrado ministério, já que todos são igualmente dotados da dignidade própria do « sacerdócio comum », radicado no Batismo. Tais distinções de papéis, com efeito, não devem ser interpretadas à luz dos cânones em uso nas sociedades humanas, mas com os critérios específicos da economia sacramental, ou seja, daquela economia de « sinais » livremente escolhidos por Deus para Se fazer presente no meio dos homens.

De resto, precisamente na linha desta economia de sinais, mesmo se fora do âmbito sacramental, não é de pouca importância a « feminilidade » vivida segundo o sublime modelo de Maria. Há, de facto, na « feminilidade » da mulher crente, e especialmente da mulher « consagrada », uma espécie de « profecia » imanente (cf. Mulieris dignitatem29), um simbolismo fortemente evocador, dir-se-ia uma sugestiva « iconicidade », que se realiza plenamente em Maria e exprime bem o ser mesmo da Igreja, enquanto comunidade consagrada com a dimensão de absoluto de um coração « virgem », para ser « esposa » de Cristo e « mãe » dos crentes. Nesta perspectiva de complementaridade « icônica » dos papéis masculino e feminino, ficam mais em evidência duas dimensões imprescindíveis da Igreja: o princípio « mariano », e o princípio « apostólico-petrino » (cf. ibid., 27).

Por outro lado — lembrei-o aos sacerdotes na mencionada Carta da Quinta-Feira Santa deste ano —, o sacerdócio ministerial, no desígnio de Cristo, « não é expressão de domínio, mas de serviço » (n. 7). É tarefa urgente da Igreja, na sua renovação quotidiana à luz da Palavra de Deus, pô-lo sempre mais em evidência, quer no desenvolvimento do espírito de comunhão e na promoção atenta de todos os instrumentos tipicamente eclesiais da participação, quer através do respeito e valorização dos inúmeros carismas pessoais e comunitários, que o Espírito de Deus suscita para edificação da comunidade cristã e serviço dos homens.

Neste amplo espaço de serviço, a história da Igreja nestes dois milênios, apesar de tantos condicionalismos, conheceu realmente o « gênio da mulher », tendo visto surgir no seu seio mulheres de primária grandeza, que deixaram amplos e benéficos vestígios de si no tempo. Penso na longa série de mártires, de santas, de místicas insignes. Penso, de modo especial, em Santa Catarina de Sena e em Santa Teresa de Ávila, a quem o Papa Paulo VI, de venerável memória, conferiu o título de Doutora da Igreja. E como não lembrar também tantas mulheres que, impelidas pela fé, deram vida a iniciativas de extraordinário relevo social, especialmente ao serviço dos mais pobres? O futuro da Igreja, no terceiro milênio, não deixará certamente de registar novas e esplêndidas manifestações do « gênio feminino ».

 Vede, portanto, caríssimas irmãs, quantos motivos tem a Igreja para desejar que, na próxima Conferência, promovida em Pequim pelas Nações Unidas, se ponha em evidência a verdade plena sobre a mulher. Seja colocado realmente em devido relevo o « gênio da mulher », tendo em conta não somente as mulheres grandes e famosas, do passado ou nossas contemporâneas, mas também as mulheres simples, que exprimem o seu talento feminino com o serviço aos outros na normalidade do quotidiano. De facto, é no doar-se aos outros na vida de cada dia, que a mulher encontra a profunda vocação da própria vida, ela que talvez mais que o próprio homem vê o homem, porque o vê com o coração. Vê-o independentemente dos vários sistemas ideológicos e políticos. Vê-o na sua grandeza e nos seus limites, procurando ir ao seu encontro e ser-lhe de auxílio. Deste modo, realiza-se na história da humanidade o fundamental desígnio do Criador e aparece à luz incessantemente, na variedade das vocações, a beleza — não só física, mas sobretudo espiritual — que Deus prodigalizou desde o início à criatura humana e especialmente à mulher.

Ao mesmo tempo que, na minha oração, confio ao Senhor o bom êxito do importante encontro de Pequim, convido as comunidades eclesiais a fazer do ano em curso ocasião para uma profunda ação de graças ao Criador e ao Redentor do mundo precisamente pelo dom de um bem tão grande como é o da feminilidade: esta, nas suas múltiplas expressões, pertence ao patrimônio constitutivo da humanidade e da mesma Igreja.

Que Maria, Rainha do amor, vele pelas mulheres e pela sua missão ao serviço da humanidade, da paz, da difusão do Reino de Deus!

Com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 29 de Junho de 1995, solenidade dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.

JOÃO PAULO PP. II

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Você só precisa dar o próximo passo

Entre nossas crises de fé, vocacionais e até mesmo financeiras, nos deparamos com tantos questionamentos: “E agora? O que farei? Como sair dessa situação? O que está acontecendo comigo? Qual o sentido disso tudo? Deus, cadê Você?”. 
Somos assim conduzidos para o deserto, local onde inicialmente nos apavoramos, somos inundados pelo medo, tantas inseguranças tomam nossos corações. Querendo sair dali o mais rápido possível, sofremos com a paralisia. Tomados por nossa auto suficiência nada conseguimos fazer e é nesse momento, de maior solidão e aridez, que encontramos Deus.
E começamos a encontrar a ESPERANÇA.



Vamos ao deserto?

Dissertando melhor sobre esse subtítulo eu te digo: queira ir para o deserto! Proporcione situações no seu cotidiano que lhe faça viver o deserto. Silencie!
O deserto é o local que encontramos com nossos demônios, nos deparamos com nossas verdades trilhando um caminho profundo de autoconhecimento, pois ali com as feridas expostas, despojados de nossas máscaras e personagens, podemos encontrar a cura, o tratamento. 
E lembre-se: é um CAMINHO. E para caminhar precisamos de que? De dar o próximo passo!!! Seguir em frente. Caindo e levantando.





Em Tempo Quaresmal, estamos nesse ambiente desértico propício para tal vivência interior diante da Liturgia da Palavra que temos a nosso alcance diariamente.
Aproveito também para indicar o filme “Campo Minado” dos italianos Fabio Guaglione e Fabio Resinaro, que possui um conteúdo riquíssimo para um aprofundar sensível em nós mesmos. Filme secular no qual nos revela a sabedoria dos Padres do Deserto - se isso foi intencional e os autores possuem tal conhecimento, ainda não descobri a informação, mas que podemos utilizá-lo como formação isso sim eu posso indicar.


Terminando aqui esse artigo lhe digo:
“DÊ O PASSO, SOLDADO! DÊ O PASSO!”
Enfrente seus demônios
Encare suas verdades
Conheça-se a si mesmo
Conheça Deus
Deserte-se!

Dê nome a suas dores
Vença seus medos
Encontre as raízes
Lance profundo suas raízes
Enraize-se
E deixa Deus cultivar
Não deixe de orar
Deixa Deus podar
Não deixe de adorar
Silêncio…

Encontre-se
Encontre com Deus.
Dê o passo, soldado.
Você só precisa dar o próximo passo!
E no deserto o jardim florirá.



Karla Maria Tavares de Oliveira
Discipulado - Com. Encontro