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terça-feira, 29 de setembro de 2015

As dores do crescimento

Quando se ouve a voz de Jesus e se diz sim ao seu chamado, abre-se um mundo novo de descobertas e muita alegria diante de nossos olhos. Mudamos nosso jeito de falar, vestir, deixamos de frequentar certos lugares... Enfim, os hábitos são alterados e com isso nossa consciência começa a ser formada no que precisamos deixar pelo caminho. Sabemos em nosso íntimo dos pecados, vícios e manias que precisam ser arrancados para que haja vida em nós, porém, na maioria das vezes, não sabemos como lidar com as dores dessas podas que o Espírito de Deus vem realizar em nós.
É necessário entendermos que o crescer passa pela dor de se deixar ser formado, e é preciso permitir isso acontecer da maneira que Deus deseja e não da forma que achamos que deva acontecer.
O homem tem sua essência na verdade e no amor, foi criado para ser amor. A bondade de Deus é o molde de todo ser humano, mas temos a liberdade amorosa que a Trindade nos deu, para modificar com o passar do tempo aquilo que é belo em nós e com isso vamos permitindo que o pecado entre em nossa vida, nos inclinando a uma escravidão em nossas próprias vontades e quereres.
O primeiro passo rumo à verdadeira liberdade é o sim, é o querer ser de Deus e voltarmos com amor e coragem nosso olhar para a Trindade, que é de onde viemos. Esse é um passo importante, mas não o principal. Com o tempo nossa alma pede mais, necessita de aproximar-se de seu criador e anseia por se assimilar verdadeiramente a Seu Senhor. Vem então o que eu penso ser o mais importante para o cristão: enfrentar a via da dor se deixando moldar pela Trindade.
Nos vemos em um campo, onde nossas dores, manias, vícios e pecados moram e onde há uma pequena via, estreita, onde devemos caminhar rumo ao ápice de nossa entrega: a Cruz. O Pai tem o poder de retirar esse campo do caminho, mas não o faz por amor a nós, pois sabe que precisamos enfrentar nossa história acolhendo-a com amor e misericórdia para nossa cura e crescimento. Ele deseja que cheguemos à maturidade de Cristo e para isso é preciso passarmos pela via sagrada da dor.
No início podemos desanimar e até convencer a nós e aos outros que estamos infelizes, que não conseguimos, mas tudo isso é apego aos vícios. Amar-se e amar a Deus, nesse momento, é justamente não se entregar, mas permitir que o amor nos purifique de tudo aquilo que nos escraviza. Devemos seguir olhando somente para Cristo e acreditando que vamos vencer, não por nossas forças, mas porque Ele caminha conosco. Teremos crises, iremos cair e desejaremos parar no meio da estrada, mas é preciso fitar fixamente o Cristo sabendo que muitas vezes Ele nos arrastará com vícios e tudo, sendo violento com nossa carne e quando nossas forças se esgotarem, Ele nos levará no colo até chegarmos à Cruz, nesse momento mais esperado, e que é preciso se dispor a arrancar tudo que é velho. Vai doer, mas é amor!
Não existe condição humana que não pode ser mudada pelo amor e é deixando-se crucificar que se morre para a vida velha e entoa-se o mais belo dos louvores. O caminho é doloroso, a morte para si é sofrida, mas devemos lembrar que Jesus já passou por ela e ressuscitou para nos dar a vida eterna. A alegria da Ressurreição supera toda a dor e todo o pesar, é quando se olha para trás e se vê uma vida mortificada para a vivência da plenitude da felicidade humana, e se canta o louvor da liberdade, que nos impulsiona a voar muito mais alto, saciando o desejo de nossa alma que é unir-se intimamente com seu Criador.
Tenhamos a coragem de sermos felizes, como nosso amado Papa nos pede. Sejamos ousados em falar para o mundo que queremos a Cruz, que ansiamos pela loucura de sermos verdadeiramente felizes.
Mickaele Dias Siqueira
Vocacionada da Comunidade Encontro

Assista o Musical "O Canto das Írias" da Comunidade Católica Shalom:

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