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"Adorar é um gesto de amor que muda a vida"

"Adorar é um gesto de amor que muda a vida" - Papa Francisco
Recordando a intenção dos Reis Magos ao seguirem a estrela no Oriente o Papa nos faz refletor que adorar era o objetivo do percurso dos Reis, a meta do seu caminho. Para sublinhar a importância da adoração o ele recordou: “Se perdermos o sentido da adoração, falta-nos o sentido de marcha da vida cristã, que é um caminho rumo ao Senhor, e não a nós”, e em seguida esclarece o risco falando de personagens “incapazes de adorar”. E cita Herodes, que usa o verbo ‘adorar’, mas de maneira falaciosa, porque pede aos Magos que o informem do local onde encontrarem o Menino, enquanto que na realidade ele queria livrar-se dele.

Adorar a Deus para não adorar-se a si mesmo

“Que nos ensina isto? Que o homem, quando não adora a Deus, é levado a adorar-se a si mesmo; e a própria vida cristã, sem adorar o Senhor, pode tornar-se uma forma educada de se louvar a si mesmo e a sua habilidade. É um risco sério: servir-se de Deus, em vez de servir a Deus”
Quantas vezes trocamos os interesses do Evangelho pelos nossos! Quantas vezes revestimos de religiosidade aquilo que a nos convêm! Quantas vezes confundimos o poder segundo Deus, que é servir aos outros com o poder segundo o mundo, que é servir a sim mesmo!

“Quando se adora, apercebemo-nos de que a fé não se reduz a um belo conjunto de doutrinas, mas é a relação com uma Pessoa viva, que devemos amar. É permanecendo face a face com Jesus que conhecemos o seu rosto”

Descobrir a adoração
Descubramos, de novo, a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De fato, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo. Adorar é colocar o Senhor no centro, para deixarmos de estar centrados em nós mesmos. É predispor as coisas na sua justa ordem, reservando o primeiro lugar para Deus. Adorar é antepor os planos de Deus ao meu tempo, aos meus direitos, aos meus espaços. É aceitar o ensinamento da Escritura: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás” (Mt 4,10). “Teu Deus”: adorar é sentir que pertencemos mutuamente, eu e Deus. É tratá-Lo por “Tu” na intimidade, é depor a Seus pés a nossa vida, permitindo-Lhe entrar nela. É fazer descer sobre o mundo a Sua consolação. Adorar é descobrir que, para rezar, basta dizer “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28) e deixar-nos invadir pela Sua ternura.

“Quando adoramos – recorda o Papa - permitimos a Jesus que nos cure e transforme; adorando, damos ao Senhor a possibilidade de nos transformar com o seu amor, iluminar as nossas trevas, dar-nos força na fraqueza e coragem nas provações”

"Adorar é um gesto de amor que muda a vida. É fazer como os Magos: levar ao Senhor o ouro, para Lhe dizer que nada é mais precioso do que Ele; oferecer-Lhe o incenso, para Lhe dizer que só com Ele se eleva para o alto a nossa vida; apresentar-Lhe a mirra – com ela se ungiam os corpos feridos e dilacerados – como promessa a Jesus de que socorreremos o próximo marginalizado e sofredor, porque nele está o Senhor". Habitualmente, ao rezar, sabemos pedir, agradecer ao Senhor, mas a Igreja deve progredir ainda mais na oração de adoração. Devemos crescer na adoração; a oração de adoração é uma ciência que temos de aprender todos os dias: rezar adorando.

Amados irmãos e irmãs, hoje, cada um de nós pode interrogar-se:

"Sou um cristão adorador?”

A pergunta impõe-se-nos, pois muitos cristãos que rezam não sabem adorar. Encontremos momentos para a adoração ao longo do nosso dia e criemos espaço para a adoração nas nossas comunidades. Adorando, descobriremos também nós, como os Magos, a direção certa do nosso caminho. E sentiremos, como os Magos, uma “imensa alegria” (Mt 2,10).

Fonte: VaticanNews e Canção Nova

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