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9 Lições do Venerável Fulton Sheen sobre a Educação dos Filhos


Venerável Fulton Sheen, grande orador e escritor e um dos bispos mais conhecidos da Igreja Católica dos Estados Unidos, foi pai espiritual de muitos, escreveu e falou com clareza impressionante sobre crianças e adolescentes, sobre a importância da família e sobre o dever e a responsabilidade tremendos que têm os pais para com os filhos. Seus conselhos já auxiliaram milhares de pais na árdua tarefa de educar. Certamente serão de grande valia para os pais de hoje, que andam tão desnorteados e sempre à procura de ajuda.

AMOR EM FAMÍLIA
1 – “Não há mérito em amar outros que são amáveis. É fácil amar crianças amáveis, mas amá-las quando são elas que não merecem amor é o sinal infalível de uma família. (…) Quando as crianças são desagradáveis, rebeldes e fazem estardalhaço, particularmente em dias de chuva, é muito difícil amá-las com paciência. Mas logo que os pais reconhecem que Deus os ama mesmo quando não merecem ser amados, isso os inspira a fazerem o mesmo por seus filhos.”

DESOBEDIÊNCIA, AUTORIDADE E AUTORITARISMO
2 – “A desobediência em uma criança é inspirada por diferentes razões em diferentes idades. Em uma criança de três ou quatro anos, frequentemente a desobediência nada mais é do que a consciência do seu próprio ego se levantando contra outros egos. A criança está apenas descobrindo sua própria existência, e um dos modos de fazer isso é através de um tipo de revolta. Por ter passado por um período durante o qual conseguiu com o choro tudo o que quis, ela nunca pensou que outras pessoas também tinham direitos. (…) Ela não via nenhuma razão para ceder às regras dos outros. As duras pancadas de outras crianças na escola, onde ela é forçada a corrigir suas próprias ilusões de egocentrismo, são uma maneira de superar esse tipo de desobediência.”

3 – “A desobediência em um estágio posterior (dos sete aos doze anos), contra ordens externas e repressão, é mais autêntica. Nessa época, muitas vezes a criança sente a pressão das regras às quais ela deve se submeter. Nessa idade, o interesse desempenha o mesmo papel que o egocentrismo desempenhou o primeiro estágio da desobediência. Ela obedece quando é de seu interesse ou quando é vantajoso; ela desobedece quando não é de seu interesse seguir as regras. Com frequência os pais cometem o erro de acreditar que a criança desenvolverá um complexo, se lhe pedirem para fazer o que ela não quer fazer. Nenhuma criança jamais seria educada se essa ideia fosse posta em prática.”

4 – “O abuso de autoridade sempre tem origem em um falso conceito de autoridade. Tais pais pensam exercer a autoridade para o bem do filho, embora a fonte dela seja uma sobrevalorização do seu próprio ego. O líder que está seguro de sua posição não precisa realizar demonstrações extremas de autoridade.
Os pais têm maior autoridade sobre o filho quando dominam a si mesmos.

5 – “A autoridade é a arte de criar obediência. A obediência não é o fim absoluto da autoridade. Quando a obediência se torna um fetiche, ela gera desobediência e reação. Há aqui egoísmo da parte do adulto, que olha mais para si do que para a criança. Ele está defendendo sua própria personalidade, que se fenderia por meio da desobediência. O pai que enfatiza exageradamente a regra externa equipara a autoridade à obediência. Aquele que procura a obediência por si mesma a perde. Às vezes, obtém uma ordem exterior, mas nunca uma adesão interior. A obediência não é o fim da autoridade; é o efeito dela. A autoridade se baseia em prestígio moral e valor. Ela está vinculada à pessoa. (…) A união entre autoridade e obediência, portanto, é o símbolo de dois valores que se demandam mutuamente e que devem ser equilibrados. Se a força da autoridade se perde, a obediência perde seu ponto de apoio. O aumento da delinquência juvenil é diretamente proporcional ao declínio da excelência moral dos pais.”

6 – “Deve-se encontrar um equilíbrio entre a amabilidade dos pais e a obediência dos filhos. Se nenhuma disciplina ou obediência são esperadas dos filhos, eles crescerão sofrendo com uma falta moral que a vida não pode remediar. Os pais que, de modo egoísta, satisfazem cada capricho dos seus filhos, mais tarde sentirão a dolorosa agonia do egoísmo dos filhos. Os pais deveriam ser como pastores que guiam suas ovelhas, assim como o Senhor caminhou à frente dos Seus discípulos, mostrando-lhes o caminho. Assim, jamais haverá abuso de poder.”

DEFEITOS
7 – “Dizer às crianças que elas são preguiçosas ou inúteis desenvolve nelas um senso de inferioridade. Em um adulto, isso às vezes faz com que ele realize esforços para superar o fracasso, mas a extrema sensibilidade de uma criança não gera esse tipo de reação. Dizer à criança que ela é um ladrão pode fazer com que o roubo aumente, a não ser que algum medicamento seja aplicado. As crianças tendem a aceitar passivamente a decisão dos adultos. É um grande erro limitar a educação à simples observação de um defeito; é estéril e não faz bem.”

8 – “O senso de inferioridade aumenta quando a correção de uma criança é humilhante; nenhuma sanção é conveniente, a não ser que faça bem para a criança. Toda humilhação sempre produz uma defesa; portanto, não deveria haver correção sem uma iluminação da consciência. Um senso de inferioridade também pode ter muitas más reações, tais como o orgulho, a melancolia e a preguiça.”

PERMISSIVIDADE
9 – Uma das mais sérias ameaças ao relacionamento entre pai e filho é a permissividade. Alguns pais acreditam que, se não derem aos seus filhos tudo o que quiserem, estes não os amarão. Isso pode ser verdade num certo momento, mas não é verdade para toda a vida. Ao fim e ao cabo, os filhos acabam por desprezar os pais que não têm firmeza moral e que permitiram que eles crescessem pensando que o mundo lhes deve a própria existência. Por terem tido cada capricho satisfeito na juventude, jamais poderiam imaginar um mundo que não se curvasse às suas birras. Num período posterior da vida, isso se transforma em neurose, porque jamais lhes ensinaram limites.”

Trechos extraídos do livro “Filhos e pais: Sabedoria e orientação para os pais”, de Dom Fulton Sheen, publicado em 2015 pela Editora Katechesis. 

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