Pular para o conteúdo principal

Educadora do Filho de Deus

Embora tenha ocorrido por obra do Espírito Santo e de uma Mãe Virgem, a geração de Jesus, como a de todos os homens, conheceu as fases da concepção, da gestação e do parto. Além disso, a maternidade de Maria não se limitou apenas ao processo biológico do gerar, mas, como ocorre para qualquer outra mãe, deu também uma contribuição essencial para o crescimento e o desenvolvimento do filho. Mãe é não só a mulher que dá à luz um filho, mas aquela que o cria e o educa; antes, podemos dizer que a tarefa educativa é, segundo o plano divino, o prolongamento natural da procriação. Maria é Theotokos não só porque gerou e deu à luz o Filho de Deus, mas também porque O acompanhou no seu crescimento humano.
Poder-se-ia pensar que Jesus, possuindo em Si a plenitude da divindade, não tenha tido necessidade de educadores. Mas o mistério da Encarnação revela-nos que o Filho de Deus veio ao mundo numa condição humana em tudo semelhante à nossa, exceto no pecado (cf. Heb. 4, 15). Como acontece para cada ser humano, o crescimento de Jesus, da infância até à idade adulta (cf. Lc. 2, 40), precisou da ação educativa dos pais. O Evangelho de Lucas, particularmente atento ao período da infância, narra que Jesus em Nazaré era submisso a José e a Maria (cf. Lc. 2, 51). Essa dependência mostra-nos Jesus na disposição a receber, aberto à obra educativa de sua mãe e de José, que exerciam a sua tarefa também em virtude da docilidade por Ele constantemente manifestada.
Os dons especiais, de que Deus tinha colmado Maria, tornavam-na particularmente idônea a desempenhar a tarefa de mãe e educadora. Nas circunstâncias concretas de todos os dias, Jesus podia encontrar nela um modelo a seguir e a imitar, e um exemplo de amor perfeito para com Deus e os irmãos. Ao lado da presença materna de Maria, Jesus podia contar com a figura paterna de José, homem justo (cf. Mt 1, 19) que assegurava o necessário equilíbrio da ação educativa. Exercendo a função de pai, José cooperou com a sua esposa para tornar a casa de Nazaré um ambiente favorável ao crescimento e à maturação pessoal do Salvador da humanidade. Iniciando-O depois no duro trabalho de carpinteiro, José permitiu a Jesus inserir-se no mundo do trabalho e na vida social.
Os poucos elementos que o Evangelho oferece, não nos consentem conhecer e avaliar completamente as modalidades da ação pedagógica de Maria para com o seu Filho divino. Sem dúvida, foi ela, juntamente com José, que introduziu Jesus nos ritos e prescrições de Moisés, na oração ao Deus da aliança mediante o uso dos Salmos, na história do povo de Israel centrada no êxodo do Egito. Dela e de José, Jesus aprendeu a frequentar a sinagoga e a realizar a peregrinação anual a Jerusalém, por ocasião da Páscoa. Olhando para os resultados, podemos sem dúvida deduzir que a obra educativa de Maria foi muito incisiva e profunda, e encontrou na psicologia humana de Jesus um terreno muito fértil.
A tarefa educativa de Maria, dirigida para um filho tão singular, apresenta algumas características particulares em relação ao papel das outras Mães. Ela garantiu apenas as condições favoráveis para que se pudessem realizar os dinamismos e os valores essenciais de um crescimento, já presentes no Filho. Por exemplo, a ausência em Jesus de qualquer forma de pecado exigia de Maria uma orientação sempre positiva, com a exclusão de intervenções corretivas para com Ele. Além disso, se foi a Mãe que introduziu Jesus na cultura e nas tradições do povo de Israel, será Ele, desde o episódio do encontro no Templo, a revelar a plena consciência de ser o Filho de Deus, enviado para irradiar a verdade no mundo, seguindo exclusivamente a vontade do Pai.
De “mestra” do seu filho, Maria torna-se assim a humilde discípula do divino Mestre por ela gerado. Permanece a grandeza da tarefa da Virgem Mãe: desde a infância até à idade adulta, ela ajudou o Filho Jesus a crescer “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc. 2, 52) e a formar-se para a Sua missão. Maria e José emergem por isso como modelos de todos os educadores.
Eles sustêm-nos nas grandes dificuldades que hoje encontra a família e mostram-lhes o caminho para chegar a uma formação incisiva e eficaz dos filhos. A sua experiência educadora constitui um ponto de referência seguro para os pais cristãos, chamados, em condições cada vez mais complexas e difíceis, a pôr-se ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa dos seus filhos, para que vivam uma existência digna do homem e correspondente ao projeto de Deus.
Do Livro: “A VIRGEM MARIA – 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II”Fonte: Comunidade Shalom

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Oração para se libertar da Dependência Afetiva

Senhor Jesus Cristo, reconheço que preciso de ajuda. Cedi ao apelo de minhas carências e agora sou prisioneiro desse relacionamento. Sinto-me dependente da atenção, presença e carinho dessa pessoa. Senhor, não encontro forças em mim mesmo para me libertar da influência dessas tentações. A toda hora esses pensamentos e sentimentos de paixão e desejo me invadem. Não consigo me livrar deles, pois o meu coração não me obedece. A tentação me venceu. E confesso a minha culpa por ter cedido às suas insinuações me deixando envolver.

Mas, neste momento, eu me agarro com todas as minhas forças ao poder de Tua Santa Cruz. Jesus, eu suplico que o Senhor ordene a todas as forças espirituais malignas que me amarram e atormentam por meio desses sentimentos para que se afastem de mim juntamente com todas as suas tentações.

Senhor Jesus, a partir de agora eu não quero mais me deixar arrastar por esses espíritos de impotência, de apego, de escravidão sentimental, de devassidão, de adultério, de loucura …

Milagres de São Bento

Santa Escolástica, irmã gêmea de São Bento, testemunha o poder de Deus               Muitas pessoas perturbadas e possessas por espíritos maus, foram libertas por São Bento. Quando São Bento ordenava que os espíritos saíssem, quando estes não obedeciam, ele esbofeteava a pessoa ou a tocava forte com o cajado, mas quem sentia o golpe era o demônio. Sobre isto comenta Santa Escolástica, que por duas ocasiões viu que após alguns golpes os espíritos deixavam as pessoas como se tivessem levado uma bruta surra.
A pedra que não se movia               Havia ali também a construção uma enorme pedra, que serviu de altar para sacrifícios ao deus pagão Apolo. Tentavam os monges remove-la, mas não conseguiam. Chamaram São Bento, que percebeu que a pedra era segurada por demônios. O Santo ordenou que se retirasse, fez o Sinal da Cruz e os demônios fugiram e a pedra pode ser removia com grande facilidade.
Salva da morte São Plácido               Numa certa ocasião aconteceu que um menino chamado Plácido …

7 dicas para servir como Maria

Dica #1: A reta intenção Maria sabia que tudo de bom que ela tinha vinha de Deus, por isso em tudo dava glórias a Ele, não a si. É possível perceber isso na oração que ela mesma nos deixou: “A minha alma engrandece e glorifica O SENHOR. Meu Espírito se alegra EM DEUS, MEU SALVADOR. Porque ELE OLHOU para humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, PORQUE O PODEROSO FEZ para mim coisas grandiosas” (Lc 1, 47). Quando achamos que ela vai falar de si, ela aponta para Deus, a fonte de todo bem. Então, se O motivo do meu serviço é porque EU sei mais, porque EU sou o mais bonito, porque EU falo melhor… Meu irmão, está tudo errado. Minha intenção está torta, pois a glória está sendo dada a mim, não a Deus. Às vezes até começamos direitinho, sabe? Em uma pregação, por exemplo, começamos anunciando a Boa Nova, trazendo a atenção dos irmãos para Deus, mas basta darem um risadinha que pronto, começo logo a pensar como sou bacana, engraçado e todos me amam. Aí …