Pular para o conteúdo principal

Relativismo: "Deus conhece o meu coração, ninguém pode me julgar"

O Santo Padre Emérito Bento XVI, em seu ministério, muito condenou a chamada “ditadura do relativismo”. Mas, afinal, do que o Papa estaria a nos alertar?

“O relativismo, ou seja, o deixar-se levar «guiados por qualquer vento de doutrina», parece ser a única atitude que está na moda. Vai-se construindo uma ‘ditadura do relativismo’, que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última medida o próprio eu e suas vontades”.

O Santo Padre Emérito Bento XVI, em seu ministério, muito condenou a chamada “ditadura do relativismo”. Mas, afinal, do que o Papa estaria a nos alertar? Contra o que ele estaria lutando?

Ora, quantos de nós já não ouvimos, de pessoas próximas, inclusive, os seguintes dizeres: “Já está ótimo ser um bom cidadão, defender pautas sociais coerentes e amar o próximo com o testemunho de uma vida digna, isso basta! Nisto consiste meu relacionamento para com Deus. Ritos litúrgicos anacrônicos que a Igreja Católica insiste em conservar? Horas e horas falando sozinho diante de uma estátua de gesso? Gestos masoquistas como jejuar e rezar de joelhos? Ora, eu sou uma pessoa evoluída, e como tal, devo quebrar os grilhões da ‘medievalidade’ e do fanatismo. Afinal, para o meu‘ deus’, o que importa é não fazer mal a ninguém.” – Assim se justificam os neopagãos, salientando, ainda, a fim de afastar qualquer sombra de advertência: “só Deus pode-me julgar, Ele conhece o meu coração.”

Falsa espiritualidade

De fato, a gravidade do pensamento supracitado é maquiada pelo crescente respeito detido, atualmente, por uma espécie de agenda cultural a serviço do relativismo, onde se prega que tudo está certo e erros de fé inexistem.

Nesse sentido, a capacidade de dominação exercida por essas correntes ideológicas, antagônicas à matriz de toda a mensagem evangélica, pode ser entendida da seguinte forma: para muitos, os instrumentos de salvação tornaram-se não somente prescindíveis, como obsoletos – os sacramentos, a oração, a penitência, a direção espiritual – sob o pretexto de um amor aparente, de uma falsa espiritualidade, que se firma na exteriorização do bem em atos, somente.

O problema é que, não havendo fecundidade espiritual genuína, esses atos tornam-se pequenos em mérito, ou seja, fazer o bem “por fazer”, não tendo como base a oração, o amor para com Cristo na pessoa do próximo, é senão inepto, frívolo e duvidoso, servindo apenas para camuflar a própria consciência e agigantar o seu próprio eu, numa atmosfera de orgulho e empáfia.

Cristianismo “self-service”

Foi nesse sentido que Bento XVI advertiu: “a caridade sem a Verdade é sentimentalismo.” De fato, muitos fazem do pecado um projeto de vida e querem viver o mais frenético exercício da liberdade sem fronteiras e, surpreendentemente, não o fazem abraçando o agnosticismo ou algum credo “menos rígido”, fazem-no aderindo ao cristianismo “self-service”. Isto é, uma versão religiosa individual onde o sujeito quer professar a fé em Jesus Cristo, mas a Sua Palavra não lhe serve de incômodo, de apelo à conversão, apenas como meio motivacional ou mera fonte de consolo.

Sendo assim, “já que Deus é amor, eu não só posso escolher os dogmas mais atraentes, como incluir os meus – afinal, o ‘fundamentalismo’ é senão um obstáculo às novas ideais – os tempos mudaram.” Eis o lamentável estado de putrefação da fé, com o qual muitos de nós já nos habituamos.

Nosso Senhor foi muitíssimo claro

No entanto, Nosso Senhor foi muitíssimo claro ao fundar a Igreja – Una, Santa, Católica e Apostólica – entregando-a a Pedro, Sua Cabeça Visível sobre a Terra e prometendo assisti-la até o fim dos tempos.

É indubitável, nesse viés, que em tudo precisamos estar com a Ela, Esposa de Cristo e Tabernáculo da Verdade, obedientes ao Magistério e em consonância com a Sagrada Tradição. Para isso, é imprescindível uma fé clara, sem distorções ou sincretismos.

Como nos diz o Papa Bento XVI: “uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo. Essa amizade nos abre a tudo o que é bom e nos dá a medida para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre o engano e a verdade”.

Portanto, é mister que não nos deixemos seduzir pela atmosfera do relativismo, mas que nos ponhamos numa adesão plena à verdadeira fé católica, sem acréscimos, perdas ou distorções, pois o Amor é inimigo do erro, enquanto que a Verdade é o próprio Amor. E eis que a autêntica caridade está não no ignorar o erro – como muitos acreditam – mas no anunciar a Verdade, em seu todo o seu esplendor e fulgurância. 

Fonte: Aleteia 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Oração para se libertar da Dependência Afetiva

Senhor Jesus Cristo, reconheço que preciso de ajuda. Cedi ao apelo de minhas carências e agora sou prisioneiro desse relacionamento. Sinto-me dependente da atenção, presença e carinho dessa pessoa. Senhor, não encontro forças em mim mesmo para me libertar da influência dessas tentações. A toda hora esses pensamentos e sentimentos de paixão e desejo me invadem. Não consigo me livrar deles, pois o meu coração não me obedece. A tentação me venceu. E confesso a minha culpa por ter cedido às suas insinuações me deixando envolver. Mas, neste momento, eu me agarro com todas as minhas forças ao poder de Tua Santa Cruz. Jesus, eu suplico que o Senhor ordene a todas as forças espirituais malignas que me amarram e atormentam por meio desses sentimentos para que se afastem de mim juntamente com todas as suas tentações. Senhor Jesus, a partir de agora eu não quero mais me deixar arrastar por esses espíritos de impotência, de apego, de escravidão sentimental, de devassidão, de adultério, de louc

Milagres de São Bento

Santa Escolástica, irmã gêmea de São Bento, testemunha o poder de Deus               Muitas pessoas perturbadas e possessas por espíritos maus, foram libertas por São Bento. Quando São Bento ordenava que os espíritos saíssem, quando estes não obedeciam, ele esbofeteava a pessoa ou a tocava forte com o cajado, mas quem sentia o golpe era o demônio. Sobre isto comenta Santa Escolástica, que por duas ocasiões viu que após alguns golpes os espíritos deixavam as pessoas como se tivessem levado uma bruta surra. A pedra que não se movia               Havia ali também a construção uma enorme pedra, que serviu de altar para sacrifícios ao deus pagão Apolo. Tentavam os monges remove-la, mas não conseguiam. Chamaram São Bento, que percebeu que a pedra era segurada por demônios. O Santo ordenou que se retirasse, fez o Sinal da Cruz e os demônios fugiram e a pedra pode ser removia com grande facilidade. Salva da morte São Plácido               Numa certa ocasião aconteceu que um meni

EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA JOVENS E ADULTOS

Como se faz o exame de consciência? Faz-se o exame de consciência trazendo à memória os pecados cometidos, a partir da última confissão bem feita.  “Qual é a mulher, que tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia e não varre a casa e não procura diligentemente até que a encontre? E que, depois de a achar, não convoque as amigas e vizinhas, dizendo: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a dracma que pinha perdido?” (Lucas 15, 8-10) A dracma era uma moeda corrente na Judéia. A solicitude da dona de casa, apresentada na parábola do Evangelho a procurar a moeda em todos os ângulos dos quartos e das salas, é um excelente convite à nossa alma. Devemos examinar atentamente nossa consciência antes de nos aproximarmos da santa confissão. Não é possível detestar e confessar um mal sem conhece-lo. Ao passo que, o seu conhecimento, leva-nos à detestação e ao desejo de nos libertarmos dele quanto antes. O exame de consciência é, por conseguinte, a indagação at